Censo: 40% dos índios vivem fora de suas terras

Como  já era do conhecimento de muitos antropólogos e eu já vinha dizendo faz muito tempo, os indígenas estão abandonando suas Terras que com muita sofrimento foram demarcadas, na tentativa de deixar para trás uma realidade de escassez e tristeza para irem à cidade mais próxima à busca de educação, trabalho e as novidades que a vida moderna em contato com a sociedade mestiça oferece. 

Quatro em cada dez índios brasileiros vivem fora das terras indígenas reconhecidas pelo governo, apontam dados do Censo 2010 divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O País tem 896,9 mil índios (0,47% da população brasileira) divididos em 305 etnias e que falam 274 línguas diferentes. O resultado surpreendeu os técnicos do IBGE, que partiram de informações preliminares da existência de 220 a 225 etnias e 180 línguas.

Esse número só não é maior por causa dos impasses e inúmeras barreiras que nossa própria sociedade cria para atraí-los, recebê-los e conviver com eles em nosso meio. Guiados pelos princípios antropológicos preservacionistas de um passado recente mas já caduco, nossa sociedade se recusa a vê-los como indivíduos iguais e desejosos de viver conosco e viver como um de nós.

Pela primeira vez, o IBGE fez o raio X do território indígena. Quase 380 mil índios (42,3% do total) vivem fora de terras próprias e 517,3 mil (57,7%) ocupam as 505 terras demarcadas, equivalentes a 12,5% do território brasileiro. Foram pesquisadas as terras regularizadas até dezembro de 2010.

Em metodologia diferente dos demais Censos, o IBGE levou em conta não apenas a população que se declarou indígena ao responder o quesito sobre cor ou raça, mas contou também aqueles que se consideram indígenas, mesmo que tenham se declarado brancos, negros, pardos ou amarelos.

O Censo encontrou 78,9 mil indígenas não declarados, que se somam aos 817,9 mil encontrados na pesquisa de raça. A soma dos indígenas declarados e não declarados inicia uma nova série histórica do Censo. Em 2000, foram contabilizados apenas os que declararam raça indígena. Eram 734,1 mil. A população de raça indígenacresceu na década 11,4%, proporção menor do que o total da população brasileira, que aumentou 12,2% entre 2000 e 2010.

“Para muitos indígenas, cor ou raça é uma classificação dos brancos. Eles podem responder que são pardos, por exemplo, mas se considerarem indígenas. Você pode perguntar qual é raça e ele responder ‘xavante’ e não indígena ou amarelo ou branco”, diz a pesquisadora do IBGE Nilza Pereira. Esses quase 80 mil que se consideram mas não se declaram índios responderam ser pardos, na maioria (67,5%). Pouco mais de 22% se disseram brancos.

As terras indígenas somam 567,5 mil habitantes, mas 30,6 mil (5,4%) deles não se declaram nem se consideram índios. Segundo técnicos do IBGE, essa ocupação nem sempre é conflituosa. Em muitos casos, os habitantes não-indígenas são pessoas que se casaram com índios e passaram a morar nas áreas demarcadas ou pesquisadores, agentes de saúde, de assistência social, das Forças Armadas e outros profissionais que vivem nas terras indígenas sozinhos ou com suas famílias. Há casos que chamam atenção, como da terra indígena Fulni-Ô, em Pernambuco (município de Águas Belas, no sertão), em que 18,6 mil dos 23,8 mil habitantes são não-indígenas. A localidade, no entanto, luta pela preservação de sua cultura e é uma das raríssimas etnias nordestinas que manteve a língua original.

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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