Puxada do Mastro: fé, tradição e cultura Cabocla de Olivença.

PUXADA DO MASTRO FOI CRIADA PELOS CABOCLOS DE OLIVENÇA, AFIRMA ANTROPÓLOGO

Postado por Editor em 15 de janeiro de 2013 – 11:27 – 

edward_luz

“O ritual é empolgante, a festa é linda e muita gente comparece, mas, é importante saber que por trás disso existe todo um significado”.  Foi com essa declaração que o antropólogo doutorando da UNB (Universidade de Brasília), Edward Luz, iniciou seu bate-papo com o comunicador Vila Nova, no programa O Tabuleiro da manhã de hoje (15).

Falando da Puxada do Mastro, festa religiosa tradicional que acontece todos os anos no bairro de Olivença, em Ilhéus, o antropólogo tentou esclarecer a população explicando alguns significados do ritual que foi realizado no último domingo (13).

“A Puxada do Mastro de São Sebastião é um evento que mistura harmonia, religiosidade e alegria. É uma tradição que não foi criada pelo povo indígena, nem pelo português, nem pelo negro, mas sim, pelos caboclos. É uma festa que surgiu da miscigenação, primordialmente entre o índio e o português que logo depois também envolveu os negros”, explicou Edward.

A festividade que teve origem no início do século XVIII, reunindo, na época, elementos da espiritualidade medieval religiosidade cabocla, caracterizada pelo sincretismo que a religiosidade católica proporciona, tem se tornado objeto de estudos históricos e folclóricos nas últimas décadas. A festa, contudo, ainda guarda segredos simbólicos que remontam o período medieval.

De acordo com Edward, a puxada do mastro é uma festa cabocla que a dominação da natureza. “È o momento onde a natureza foi vencida ao mesmo tempo em que ela é cultuada. É como se a vida se repetisse através da morte da natureza. O mastro é um instrumento de devoção, de cura. Para a maioria das pessoas que participam da festa tocar no mastro é algo milagroso, a exemplo, do seu poder fálico. Tem mulheres que acredita que ele aumenta a possibilidade de fertilidade”, disse.

Para o antropólogo existem evidencias mais do que suficientes para atestar que a festa é na verdade resultado concreto da cristianização dos ritos pagãos ao longo de pelo menos dois milênios, sendo aqui preservados pelos seus verdadeiros herdeiros, os Caboclos de Olivença.

Ao longo dos tempos, a festa passou por transformações e é acompanhada por grande multidão, que canta músicas características, de origem cultural mestiça aos sons de tambores. Hoje, tornou-se a principal festa folclórica da região, sendo transformada numa comemoração profana, cuja tendência mais recente é a progressiva carnavalização.

Para finalizar a entrevista, Edward fez questão de deixar um apelo a população de Ilhéus, em especial, aos caboclos de Olivença. “Nesses dias que tive o prazer de acompanhar tudo de perto, o que mais me chamou atenção foi a falta de organização e de interesse no que diz respeito a organização da festa. Gente, não há tradição que resista às transformações culturais sem organização. As dificuldades de encontrar voluntários, a pequena participação e audiência nos eventos que antecedem o período da Puxada, deixam evidente a decadência da parte folclórica e sagrada bem como uma tendência crescente de descaracterização desta festa tradicional. Peço que pelo ao menos os caboclos não abandonem seus traços folclóricos e continuem passando esse costume de geração para geração. Busquem o resgatar a sua cultura. Tradição é identidade e a nossa identidade é o que temos de mais valioso. Mantenham viva essa festa linda, essa fé, essa grande realização”, incentivou o antropólogo.

 

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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