Índios alugam terras para a exploração ilegal de madeira.

Nada como uma boa dose de choque de realidade para arrebentar com as propostas da utopia pseudo-comunista acalentada por meia dúzia de antropideólogos, alguns indigenistas grande maioria de ambientalistas empolgados com o mito que eles mesmos criaram. Confesso que também não poderia haver melhor tema para começar com minhas contribuições semanais à este meu próprioBlog. Há muitos anos venho me dedicando à análise e revelar o fracasso da proposta indigenista atual e finalmente encontrei um Blog de repercussão nacional onde posso expressar algumas destas opiniões.

Abro minha caixa de emails para checar as novidades e dou de cara com a manchete, da Folha de hoje: “Índios ‘alugam’ terras para exploração ilegal de madeira‘. (Acesse a íntegra da reportagem no link abaixo)

Para quem como eu, conhece e acompanha há mais de duas décadas a triste realidade de abandono em que vive grande parte das comunidades indígenas  deixadas à própria sorte, como se abandono fosse a regra oficial do indigenismo nacional, a notícia não guarda qualquer novidade.

Mas para aqueles engenheiros sociais que querem fazer dos indígenas os novos ícones e heróis civilizadores do ambientalismo internacional, a notícia cairá como mais uma das muitas bombas Hs, que há mais de duas décadas vem solapando a credibilidade do aparato ambientalista/indigenista inter/nacional.

Guiados por uma genuína e positiva curiosidade jornalística três repórteres da Folha de São Paulo revelam aquilo que três batalhões de jornalistas inter/nacionais não querem que seja revelado: a conivência de indivíduos e mesmo de comunidades indígenas com as atividades ilegais de desmatamento na Amazônia.

A reportagem da Folha identificou que, estimulados pela necessidade ou pelo desejo índios de pelo menos 15 Terras Indígenas na Amazônia, vem loteando seus próprios territórios tradicionais para que madeireiros desmatassem conforme seu interesse, compartilhando com eles parte dos lucros destas atividades ilegais. Tal atividade é apenas uma das já conhecidas, mas renovadas práticas de utilização ou exploração compartilhada que indígenas promovem de seus territórios. Exemplos de tais atividades, não faltam e podem ser encontrados por todos os cantos do país e vão desde arrendamento de terra para plantio de soja e criação “ilegal” de gado entre os Mura, até a extração ilegal de ouro gerenciada pelos patrões Mundurucu ou de diamantes azuis coordenada pelos Cinta-Largas, que em menos de três décadas após o contato, já estavam…running their own business, para usar um termo mais apropriado ao mercado.

Os próprios servidores da FUNAI entrevistados revelam qiuea as negociações envolvem preços muito abaixo do preço de mercado, itens eletrônicos, e é claro, muitas bebidas e não tão belas prostitutas. Lembrei-me de um cacique Zoró, que ao comentar os empreendimentos minerários dos Cinta-larga confessou que lamentávelmente, só quem enriquecera com as atividades ilegais eram os donos de postos de gasolina, donos de bar, e as prostitutas que ganhavam casas mobilhadas em Espigão D´oeste e Pimenta Bueno.

Mesmo no tão respeitado Parque Indígena do Xingú, celebrado ícone do indigenismo nacional, as investigações da Polícia Federal detectaram o esquema ilegal em 2007. A decisão da Justiça Federal dizia que os índios “não só foram aliciados para facilitar a ação […] como se tornaram agentes ativos e destacados na extração e comercialização de madeiras”.

Coitado do pobre Almir Suruí, que já algum tempo vem se tornando minoria dentro da própria terra indígena Sete de Setembro. Ele mesmo relata ter informado à FUNAI sobre a conivência de moradores de algumas das 25 aldeias da sua área. E com a inocência de quem ainda não percebeu o quanto este fato é incomodo para a propaganda “miteológica” construída em torno da idealização do indígena revela de forma clara como a ideologia predominante do órgão indigenista tem implicações muito concretas em sua condução prática: “Eles falam que não podem mandar fiscalização porque tem índio envolvido. Se tem, para mim é bandido como quaisquer outros. Além de roubar o próprio povo, rouba um bem da União.”

Sem se perceber da gravidade da denúncia que faz, Almir Suruí revela com muita tranqüilidade que, para salvaguardar o mito e a propaganda falaciosa dos indígenas messias-redentores da humanidade, a FUNAI prefere manter o precioso sigilo sobre a dilapidação do patrimônio indígena e nacional do que fazer o que é certo e enviar às áreas denunciadas uma equipe de fiscalização para interromper as atividades ilegais. Resta saber se nossos parlamentares concordam com esta forma… inusitada de se conduzir um órgão governamental responsável pela aplicação das diretrizes constitucionais, que asseguram no Parágrafo 231 a competência da União em demarcá-las, proteger e fazer respeitar este patrimônio da própria União.

Algumas últimas observações importantes: livre das imposições éticas pós-modernas e despreocupado com as possíveis repercussões negativas de sua fala, Almir Suruí sente-se a vontade para reconhecer que sim: também têm índio bandido sim (apesar dele manter uma dúvida estratégica: Se tem…), envolvidos em qualquer esquema ilegal além de roubar do próprio povo, ele estará roubando também da União. Só mesmo um valoroso Suruí para falar à nação aquilo que as amarras do políticamente correto nos impede.

Em todo o resto do país, falar ou reconhecer este fato prosáico, por mais lógico, claro e evidente que seja para a grande parte dos brasileiros, está ficando cada dia mais arriscado hoje. Pode dar processo, esfolamento ou linchamento na fogueira pública pós-moderna da blogosfera e tuitosfera (que parece estar queimando com mais ardor depois de uma certa entrevista na InfoVias) e em alguns casos até prisão no mundo real. Meus sinceros reconhecimentos àqueles dispostos a revelar a face perversa e fracassada da utopia indígeno/ambientalista refratárias à regulamentação das atividades econômicas em Terras Indígenas e a recusa ideológica e paternalista em permitir a inserção do indígena no mercado.

Ainda vamos falar muito, muito destes temas por aqui. Motivos e casos não faltam. EML.

Link da Matéria na Íntregra: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/90580-indios-alugam-terras-para-exploracao-ilegal-de-madeira.shtml

A foto é de Fábio Pozzebom, da Agência Brasil.

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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