Quem manipula os povos indígenas contra o desenvolvimento do Brasil? Lorenzo Carrasco responde em livro.

O jornalista Lorenzo Carrasco promete lançar ainda no mês de maio pela editora Capax Dei, o livro “Quem manipula os povos indígenas contra o desenvolvimento do Brasil?”. A obra traz detalhes acerca mafia_verde mafia_verde_2_capadas decisões que teriam dado início aos processos de demarcação de terras indígenas e, segundo Carrasco, os “porões” do Conselho Mundial de Igrejas.

Em entrevista exclusiva à Folha, o jornalista mexicano radicado no Brasil há muitos anos, que também é sociólogo e cientista político, disse que ainda em 2001, quando lançou outro livro intitulado “Máfia Verde: ambientalismo a serviço do governo mundial”, havia alertado para a problemática das demarcações. Ele foi um dos depoentes da chamada CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das ONG’s (Organizações Não Governamentais), no Senado Federal.

“À época já se apresentava no Brasil um problema sério: a presença de Ong’s internacionais dirigindo os destinos do país no campo ambiental e indigenista, através da infiltração no Ministério do Meio Ambiente, Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e da Funai (Fundação Nacional do Índio)”, comentou.

Exemplo disso, conforme o jornalista, seria a decisão inicial para delimitação da área indígena Yanomami, que teria partido de uma reunião feita no castelo de Windsor, na Inglaterra. “Se decidiu que deveria haver uma reserva Yanomami e se lutou para que não houvesse nenhuma infraestrutura. A partir daí houve o mapeamento da região por que havia exploradores europeus na área, principalmente ingleses. Tudo isso está documentado no novo livro. Apesar de que no livro anterior havíamos alertado sobre o aspecto ambientalista”, declarou.

De acordo com ele, o tema indígena “estourou” depois das grandes movimentações internacionais que foram as demarcações das áreas Yanomami e Raposa Serra do Sol. Ambas, de acordo com ele, estariam situadas na região da Ilha da Guyana, que abarca uma área entre o Rio Orinoco, passa pelo Canal de Cassiquiare, e chega ao Rio Negro, no Amazonas.

“Está em um escudo geológico, de alto potencial mineral. Todas essas ações têm como foco desalojar a população de Roraima, despovoar, e inviabilizar economicamente o estado. De fato, o estado é inviável, uma vez que a maior parte de seu território é composto por reservas. Isso é um plano internacional. Que vem do início da década de 60, foi implementado e operado”, relatou.

O jornalista afirmou que à época da decisão da Raposa Serra do Sol, foi repassado ao Brasil, que com a “entrega” da área o país estaria livre de novas demarcações. Mas na prática não foi o que aconteceu. “A estratégia foi utilizada para tranqüilizar a pressão que vinha do Congresso e de outros setores nacionais. Mas, isso não esta determinado, por que o plano indigenista está ditado fora do país. O Conselho Mundial de Igrejas controla e financia todas as políticas indigenistas”, argumentou.

Reforçando sua tese, Carrasco foi enfático ao afirmar que os indígenas não motivam essa problemática brasileira, e por isso o livro trata da manipulação. “São manipulados por ONGs internacionais. O problema não são os índios, mas a ideologia indigenista que está criando reservas, mantendo a população na idade da pedra, como é o caso dos Yanomami e da Raposa, onde os índios foram abandonados às doenças. Essa é uma política que termina prejudicando os indígenas”, ponderou.

Prova disso, segundo o jornalista, seria a “proliferação” de ações por demarcações de novas áreas depois da decisão em torno da Raposa Serra do Sol. De acordo com ele, o movimento ambientalista e o aparato internacional indigenista ganharam “novo ânimo para estender a batalha por todo o país”.  “Agora já não é Roraima, mas Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Maranhão, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde querem criar reservas povoadas por pequenos produtores, agredindo a centenas de famílias”, ressaltou.

Ele concluiu citando a posição da ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Gleise Hoffmann, na semana passada na Câmara Federal, que cogitou mudanças na política da Funai, retirando parte de seus poderes, segundo Carrasco, como forma de “pacificar o país”. “O Brasil esta em pé de uma guerra civil em várias regiões. O governo esta aparentemente consciente e por isso a garantia da ministra de mudar a política da Funai. Não é uma pressão da bancada ruralista, mas de uma bancada nacionalista, uma força que não se restringe a uma bancada particular ou partido, mas abarca o Congresso Nacional”, finalizou.

De Folha de Boa Vista, 14/05/2013.

Anúncios

Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
Esse post foi publicado em Sem categoria. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para Quem manipula os povos indígenas contra o desenvolvimento do Brasil? Lorenzo Carrasco responde em livro.

  1. eu disse:

    Finalmente o governo está começando a tomar uma atitude!Provavelmente,haverá muita pressão por parte da FUNAI e até mesmo de outros países quando o governo mudar o processo de demarcação.Espero que os nossos governantes não se acovardem!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s