Paulo Apurinã suposto indígena, manipula identidade étnica e teria falsificado RANI (registro indígena da FUNAI).Só mais um…

Paulo Apurinã, líder indígena do Amazonas, habitué de cerimônias com autoridades como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua sucessora, Dilma Rousseff, não é índio, segundo a Polícia Federal.

Há quase uma década venho informando a sociedade brasileira de que manipulações, corrupção e desvios estavam e e seguem sendo promovidas por diversos indivíduos, grupos e pequenas comunidades interessadas em obter benefícios estatais assegurados exclusivamente aos indígenas. Infelizmente tenho sido talvez a única voz na academia a fazer tais denúncias de forma consciente, responsável e democrática, ou seja respeitando sempre o direito de quem quer seja, mas sobretudo, o direito da sociedade brasileira saber e ser informada sobre o que realmente anda acontecendo no indigenismo brasileiro, todo ele construído para atacar o estado, os setores produtivos e as bases da nação brasileira.

Por uma série de fatores que não dá para alistar agora tais crimes vem se multiplicando com uma velocidade impressionante sob o manto do silêncio, do descuido e do desinteresse da sociedade nacional. Escondidos sob o manto de uma nobre luta por direitos territoriais e fortalecimento cultural, uma quantidade desconhecido e virtualmente incalculável de pequenas fraudes, manipulações e até crimes passam relativamente desapercebidos pela  imensa maioria da sociedade brasileira.  Numa sociedade maniqueísta extremamente dividida entre os que odeiam os indígenas e aqueles que os vêem na cultura e no modo de vida indígena a salvação dos problemas do país sempre entendi que minha função seria a de promover a paz, a convivência pacífica e a compreensão mútua entre indígenas e não-indígenas neste país. Tarefa que, diga-se, vem ficando cada vez mais complicada.

Desde as primeiras denúncias que fiz ainda à FUNAI sempre tomei o cuidado de estudar, pesquisar profundamente cada caso e sobretudo não fazer acusações levianas sem poder comprovar o que afirmo. Guiados pelos mesmos princípios, alguns meios de comunicação também assim procedem, mas tem condições de averiguar e checar fatos em maior profundidade. Foi assim que  a Folha e São Paulo publicou hoje pela manhã mais uma dessas bombásticas reportagens trazendo a tona só mais um caso onde um cidadão brasileiro, mestiço amazônida manipula sua identidade e se apresenta como indígena, dentre outros motivos pelos prometidos benefícios assegurado aos indígenas.

Redigida pela repórter Kátia Brasil, o texto mostra como esta “liderança indígena” acostumada a aparecer em reuniões com poderosas autoridades do estado brasileiro está já há um ano sendo investigado pela Polícia Federal que depois de apuração de mais de um  ano e meio,  indiciou ele ele e sua mãe, Francisca da Silva Filha, 56, sob suspeita de falsificação de documento público. Entre os indícios de fraude, diz a PF, estão a ausência de dados genealógicos e de estudos antropológicos, além de depoimentos de índios que negaram a origem dos dois.

A investigação começou em dezembro de 2011, após Paulo dito “Apurinã” ser detido por desacato no aeroporto de Manaus. Tentava embarcar com cocar de penas de ave ameaçada de extinção e ter insultado verbalmente um fiscal do IBAMA e um agente da PF, sacando do bolso a velha cadeirada identitária: Você sabe com quem está falando. Sou índio Apurinã!!! Por conta do desacato Paulo foi condenado à prestação de um ano de serviços comunitários.

O pior de tudo é saber que Paulo… dito “Apurinã” é apenas um único caso que veio à tona e agora ao conhecimento da sociedade envolvente, mas iguais a eles muitos outras lideranças e indivíduos auto-intitulados indígenas se multiplicam e se alastram por todo o Brasil sendo assim reconhecidos e respeitados por grande parte da sociedade envolvente. Uma lástima que está a comprometer a seriedade e a qualidade da luta respeitável e nobre dos indígenas por desenvolvimento para alcançarem uma vida melhor para seus povos e suas futuras gerações. Abaixo segue o texto de reportagem da Folha.

Líder indígena do AM falsificou registro na FUNAI, afirma PF
03/06/2013 – 01h55

Um líder indígena do Amazonas, habitué de cerimônias com autoridades como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua sucessora, Dilma Rousseff, não é índio, segundo a Polícia Federal.

Para a PF, Paulo José Ribeiro da Silva, 39, o Paulo Apurinã, fraudou o Rani (Registro Administrativo de Nascimento de Índio), RG indígena emitido pela Funai (Fundação Nacional do Índio). Após um ano e meio de apuração, ele e a mãe, Francisca da Silva Filha, 56, foram indiciados sob suspeita de falsificação de documento público. Entre os indícios de fraude, diz a PF, estão a ausência de dados genealógicos e de estudos antropológicos, além de depoimentos de índios que negaram a origem dos dois.

Kátia Brasil/Folhapress
Indiciado pela PF sob suspeita de fraudar o registro de índio, Paulo José da Silva, 39, o Paulo Apurinã, com arco e flecha no quintal da casa onde mora
Indiciado pela PF sob suspeita de fraudar o registro de índio, Paulo Apurinã, com arco e flecha no quintal da casa onde mora

A própria mãe de Silva, em depoimento à PF, disse ter tirado os nomes indígenas dela e do filho –“Ababicareyma” (mulher livre) e “Caiquara” (o amado)– de um dicionário de tupi-guarani. Eles não falam a língua apurinã. “Esses documentos foram adquiridos mediante fraude com colaboração de uma funcionária da Funai”, afirmou Sérgio Fontes, superintendente da PF no AM, sobre os registros obtidos em 2007.

Documento administrativo da Funai, o Rani não confere direitos por si só, mas na ausência da certidão de nascimento serve como subsídio para inclusão em programas sociais, como o Bolsa Família e cotas em universidades.

Com o Rani, a mãe de Silva entrou como cotista no curso de turismo da Universidade Estadual do Amazonas. Um dos critérios para emissão do registro é o autorreconhecimento –a comunidade indígena tem de reconhecer a pessoa como índio. Caso a Funai tenha dúvidas sobre a etnia, deve pedir laudo antropológico, o que não ocorreu.

CERIMÔNIAS

Porta-voz do Mirream (Movimento Indígena de Renovação e Reflexão do Amazonas), Silva ganhou notoriedade em 2009, após liderar invasões de terras públicas para assentar índios sem teto.

Em outubro de 2011, presenteou Dilma e Lula com cocares na inauguração de ponte sobre o rio Negro. “O meu cocar está com a Dilma”, disse à Folha nesta semana. Ele nega ter fraudado o registro.

A investigação começou em dezembro de 2011, após ele ser detido por desacato no aeroporto de Manaus. Tentava embarcar com cocar de penas de ave ameaçada de extinção e insultou um fiscal do Ibama e um agente da PF. Foi condenado à prestação de um ano de serviços comunitários.

Estimados em cerca de 8.000, os índios apurinã vivem dispersos às margens do rio Purus, no Amazonas, em Mato Grosso e em Rondônia.

O cacique apurinã José Milton Brasil, 48, da comunidade Valparaíso, em Manaus, disse ter dúvidas sobre a origem de Silva. “Precisamos saber qual é a linhagem dele para não sermos enganados.”

Reportagem de Kátia Brasil de Manaus.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/06/1288756-lider-indigena-do-am-falsificou-registro-na-funai-afirma-pf.shtml

Comentários e análises de Edward M. Luz.Antropólogo Livre. Ex-Sócio da ABA

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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  1. Resposta à Folha de São Paulo e CBN.

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