Depois dos Munduruku é a vez dos índios do sul viajarem à Brasília para reunião com a Casa Civil.

Após protestarem contra a política de distribuição de terras aos povos indígenas adotada pelo governo federal, integrantes de etnias que vivem nos estados do Sul esperam sensibilizar as autoridades sobre a necessidade de acelerar o processo de demarcação dos territórios. Lideranças indígenas da região informaram que uma caravana com 16 representantes desses povos virá a Brasília na próxima semana para uma reunião com a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, marcada, segundo eles, para terça-feira (11). A Casa Civil confirmou, por meio de sua assessoria, que a ministra vai receber o grupo, mas não informou quando o encontro ocorrerá.

Há cerca de um mês, a ministra pediu ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a quem está subordinada a Fundação Nacional do Índio (Funai), a interrupção, mesmo que temporária, da criação de reservas indígenas em regiões de conflito entre índios e produtores rurais. O objetivo é permitir que os estudos já elaborados pela Funai, órgão federal responsável por estabelecer e executar a política indigenista brasileira, sejam confrontados com levantamentos produzidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A Casa Civil também defende que outras instâncias do governo, como os ministérios do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura, sejam consultadas sobre os impactos da demarcação de novos territórios.

“A questão do acesso à terra é fundamental para o povo indígena. Vivemos da terra e não podemos recuar e aceitar perdê-la para o agronegócio, que a usa para produzir para fora, para exportação”, disse o cacique Romancil Kretã, da etnia Caingangue. Ele é líder da aldeia localizada no município de Mangueirinha, na região sudoeste do Paraná, onde vivem aproximadamente 1,8 mil índios.

Por dois dias consecutivos, desde segunda-feira (3), índios do Paraná e do Rio Grande do Sul protestaram contra a suspensão dos processos de reconhecimento e demarcação de suas terras pelo governo federal. Grupos de manifestantes bloquearam estradas gaúchas e protestaram em frente ao Palácio Piratini, sede do governo estadual. Uma comitiva de índios foi recebida nesta terça-feira pelo governador Tarso Genro (PT). Em comunicado, o governo do Rio Grande do Sul informou que os índios pediram apoio estadual na questão da demarcação de terras. Segundo a nota, após ouvir, por mais de uma hora as demandas do grupo, o governador garantiu que vai continuar intermediando as conversas entre os grupos indígenas localizados em solo gaúcho e a União. Tarso Genro defendeu uma negociação pacífica entre agricultores e índios, destacando que a Constituição Federal permite contemplar os direitos dos dois grupos.

O cacique Roberto Kaingang, coordenador regional do movimento indígena pela demarcação de territórios, disse que não estão programados novos protestos nos próximos dias, embora os índios que vivem no Sul continuem mobilizados.

“Esperamos avançar no diálogo com o governo pela demarcação das nossas terras. Além disso, queremos ser ouvidos sempre que houver uma proposta, uma iniciativa que envolva nossos direitos para que possamos participar da construção dos mecanismos para solucionar a questão”, enfatizou.

Ao desembarcar em Mato Grosso do Sul, depois que um índio morreu no dia 30 de maio e outro foi baleado ontem, em conflitos na região de Sidrolândia, onde fica a Fazenda Buriti, ocupada por índios da etnia Terena, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse hoje que a regulamentação ou criação de reservas indígenas no país é assunto de Estado e não depende de uma única instância de poder.

Cardozo enfatizou que não falta ao governo federal vontade política para solucionar os conflitos causados pela disputa de terras em Mato Grosso do Sul e em outros estados, o que, em sua avaliação, exige serenidade, tranquilidade e disposição ao diálogo de todos.

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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