Índios Mundurukú seqüestram um grupo de pesquisadores no Pará

Índios Mundurukú seqüestram um grupo de pesquisadores no Pará.

22/06/2013

Um grupo de pesquisadores que realizava os estudos ambientais para a construção de usinas hidrelétricas no rio Tapajós, na Amazônia, foi sequestrado por índios da etnia Mundurucu em uma região próxima a Jacareacanga, no Pará. Segundo o Ministro da Gilberto de Carvalho, os Mundurucus são contra a construção da usina porque, vivem e se beneficiam da extração ilegal de ouro no rio.

O grupo de índios é o mesmo que emboscou agentes da Policia Federal durante a operação Tapajós que combatia o garimpo ilegal no rio. O bando também é responsável pelas sucessivas invasões do canteiro de obras da usina de Belo Monte, no rio Xingu e pela ultima invasão ao prédio da Funai em Brasília.

De acordo com os mundurucu o grupo foi sequestrado por estar “ilegalmente em terras indígenas”. Os pesquisadores são da Concremat, contratada pelo Grupo de Estudo Tapajós, que estuda a construção das usinas São Luiz do Tapajós e Jatobá na bacia do rio.

O grupo classificou a ação como “sequestro” e afirmou em nota que “nenhum local visitado pelos pesquisadores é terra indígena”.

A Secretaria-Geral da Presidência ratificou as informações do Grupo de Estudo Tapajós –formado por empresas como Camargo Corrêa, GDF Suez e Eletrobras, entre outras– e afirmou que os índios “mentem sistematicamente”.

O ministro Gilberto Carvalho, que no começo do mês recebeu os mundurucus após a ocupação da usina Belo Monte por nove dias, informou que uma equipe de sete assessores será enviada ao Pará para negociar a liberação dos pesquisadores. A Secretaria-Geral da Presidência da República está em contato com os indígenas, de forma a estabelecer uma negociação para liberar os reféns. O objetivo do ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral, é que os biólogos sejam liberados rapidamente. Segundo nota do Cimi, os indígenas retiraram cerca de 25 pesquisadores e biólogos na noite de sexta-feira das terras indígenas.

“Os técnicos coletavam amostrar da fauna e flora da região para os estudos ambientais e de viabilidade das usinas no rio Tapajós”, informa o Cimi em nota oficial.

Segundo a assessoria de imprensa da secretaria, a equipe é formada por técnicos da Funai (Fundação Nacional do Índio) que falam o idioma da etnia e pessoas que negociaram a saída dos mundurucus de Belo Monte.

O Grupo de Estudo Tapajós acusa os índios de “truculência” e afirma que foram roubados câmeras fotográficas e computadores com os registros da expedição.

“Nós deixamos claro para o governo federal que não iríamos deixar entrar nenhum pesquisador nos nossos territórios”, afirmaram os índios na nota. Os índios fizeram questão de dizer que não permitirão que novas expedições sejam realizadas. “Se o governo não suspender, nós daremos um jeito. Sugerimos aos pesquisadores que não entrem nas nossas terras. Estão todos avisados.”

Leia, abaixo, a íntegra da nota do Grupo de Estudo Tapajós relatando o sequestro:

Grupo de Estudos do Tapajós

A Eletrobras informa que, às 16h de ontem (21), os biólogos e pesquisadores Djalma Nóbrega (mastozoólogo), Luiz Peixoto (ictiólogo) e José Guimarães (ictiólogo), da empresa Concremat, foram sequestrados por índios da etnia Munduruku na localidade de Mamãe-Anã, no rio Tapajós. Eles estão sendo mantidos reféns na cidade de Jacareacanga neste momento.

Os biólogos estavam na região do Tapajós, próximo ao município de Jacareacanga, realizando estudos de fauna e flora para o licenciamento socioambiental do possível Aproveitamento Hidrelétrico de Jatobá. Tais estudos são uma exigência do Ibama, que concedeu a permissão e determinou as áreas em que deveriam ser coletadas amostras da fauna, flora e água. Nenhum local visitado pelos pesquisadores é terra indígena.

Além da truculência do sequestro, foram roubados câmeras fotográficas e computadores com os registros da expedição e também o material coletado pela equipe, comprometendo a qualidade dos estudos realizados e impedindo sua continuação. É importante ressaltar que tais estudos são benéficos para a sociedade brasileira, pois permitem que se conheça melhor a fauna e flora locais.

A Concremat está a serviço do Grupo de Estudos Tapajós, que é coordenado pela Eletrobras e reúne as empresas Eletrobras Eletronorte, GDF SUEZ, Endesa Brasil, Copel, EDF, Cemig, Neoenergia e Camargo Corrêa. A Eletrobras está trabalhando em parceria com o governo federal para resguardar a segurança de todos os envolvidos e espera que esses profissionais sejam libertados o mais rapidamente possível de forma pacífica.

22/06/2013

Mais notícias em:

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,indios-sequestram-biologos-no-para,1045670,0.htm

Veja mais no site: http://www.questaoindigena.org/2013/06/indios-munduruku-sequestram-um-grupo-de.html#sthash.LTCKXPZt.dpuf

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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