Antropólogos relembram Egon Schaden

Antropólogos relembram Egon Schaden

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     Aluno de Claude Lévi-Strauss e mestre de nomes como a ex-primeira-dama Ruth Cardoso, Egon Schaden (foto acima) é considerado um dos pais da antropologia no Brasil por ter ajudado a criar esta cadeira na Universidade de São Paulo (USP). Discutindo questões de imigração e conflito indígena, ele foi reconhecido no meio científico brasileiro e no exterior, viajando pelo mundo como professor visitante.

A memória deste estudioso, nascido em São Bonifácio no dia 4 de julho de 1913, estará mais viva este ano, quando ocorre o Seminário de Cem Anos de Egon Schaden, nos dias 25 e 26 de julho. Entre as ações planejadas, está o lançamento da comenda Egon Schaden, pela Câmara de Vereadores de São Bonifácio; mesas redondas e conferências com antropólogos que foram alunos e colegas de Schaden – com a mediação da presidente da Associação Brasileira de Antropologia, Carmen Rial.

Os conferencistas programados para o dia 26 (sexta-feira), no Salão Paroquial de São Bonifácio, são:

João Baptista Borges Pereira – antropólogo interessado nas intersecções de raça e imigração estrangeira, professor emérito da USP e presidente da Comissão Permanente de Políticas Públicas para a População Negra.

Roque de Barros Laraia – professor emérito da Universidade de Brasília (UnB), o autor do livro “Cultura: um conceito antropológico”, na 21ª edição, foi presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) e envolve-se com as questões do Conselho Nacional de Imigração e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Julio Cezar Melatti – trabalhou em pesquisas de campo com Roberto DaMatta, Roberto Cardoso de Oliveira e David Maybury-Lewis (Harvard) e estudou a organização social dos indígenas no Brasil.

Também está confirmado o lançamento do audiovisual “Egon, meu irmão”, produzido pelo Núcleo de Antropologia Visual (NAVI), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e exposição de fotografias de São Bonifácio de Esdras Pio Antunes da Luz, do Centro de Artes da Universidade do Estado de Santa Catarina (Ceart/Udesc).

O evento é organizado em parceria entre a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), Prefeitura Municipal de São Bonifácio (PMSB), Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS/Chapecó).

Egon Schaden é o filho mais velho daquele que é considerado o primeiro professor de São Bonifácio, um imigrante alemão e pesquisador de grupos sociais chamado Francisco. Autodidata, o pai também educou Egon em casa. Do aprendizado da astronomia com direito à observação das estrelas mais brilhantes de São Bonifácio, passando pela língua universal do esperanto, o filho parecia se interessar por tudo o que o pai ensinava.

Depois de concluir o ensino primário em sua terra natal, permanece por três anos fora da escola por falta de oportunidade de continuar os estudos. Aos 14 anos, Egon Schaden recebeu uma bolsa do governo do Estado para cursar o ensino secundário no Colégio Catarinense, de onde saiu como melhor aluno e com o título de bacharel.

“A cooperação científica entre pai e filho garantiu ao autodidata Francisco Schaden um lugar na antropologia. Se por um lado o pai pode ter exercido influência na escolha temática do filho pela questão indígena, por outro lado, o filho retribuiu levando a produção científica do pai para congressos e publicações de alcance nacional”, cita o doutor em Antropologia Social pela USP e professor da Udesc Pedro Martins em um de seus artigos sobre o antropólogo.

Mas a vida em São Bonifácio não foi feita apenas de boas lembranças, a cena mais marcante da adolescência de Egon pode ter sido a imagem mostrada pelo pai da fileira de indígenas mortos no chão e sem orelhas – obra de bugreiros que atuavam na região naquela época. Começava aí o interesse de pesquisa por esses grupos que o acompanhou durante toda a vida.

Em entrevista à pesquisadora da Unicamp Mariza Corrêa, em 1984, logo depois de se aposentar, Egon Schaden deixa claro seu compromisso com a educação, mais do que à criação de novas teorias. Herdeiro das atribuições do professor Emílio Willems, autor de “A aculturação dos alemães no Brasil” (1980), Egon construiu a carreira na Universidade de São Paulo (USP) onde fundou a primeira publicação científica da área, a Revista de Antropologia, referência até hoje.

Para maiores informações, consultar o site:  http://egonschaden.wordpress.com/

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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