Índios provocam acidentes para saquear cargas no PR, aponta dossiê.

Denúncia da PRF e de concessionária de rodovia vai ser entregue ao MPF. Cacique confirma saques, mas nega envolvimento de índios em acidentes.

Cassiane SegatthiDo G1 PR

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Imagens obtidas do dossiê mostram pedras nos pneus e índios saqueando cargas (Foto: Reprodução)Imagens obtidas do dossiê mostram pedras nos pneus e índios saqueando cargas (Foto: Reprodução)

Um dossiê com fotos que comprovam que índios da Aldeia Rio das Cobras estão provocando acidentes na BR-277, em Nova Laranjeiras, no oeste do Paraná, será entregue ao Ministério Público Federal (MPF). As fotos foram feitas por policiais rodoviários federais e pela concessionária que administra a rodovia. O cacique Sebastião Tavares, em entrevista ao G1, assumiu que os índios saqueiam as cargas, mas nega a responsabilidade pelos acidentes. “Muita gente fala que estamos jogando madeira pra causar acidentes, mas isso a gente não pode culpar ninguém. Se alguém ver isso que me traga para eu tomar as providências”, disse.

De acordo com o inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Felix Ribeiro, responsável por montar o dossiê, no fim do mês de julho quatro acidentes foram registrados somente em uma única noite com responsabilidade dos indígenas. Todos os veículos envolvidos no acidente provocado não tinham produtos para serem saqueados.

Ainda de acordo com Ribeiro, em 2012, no trecho da BR-277 que passa pela aldeia indígena, já ocorreram 31 acidentes, com 17 pessoas feridas e 23 mortes. A polícia afirmou que em 2012 já ocorreram oito saques de carga na região indígena, que engloba o trecho da BR-277, do km 473 ao km 487. O dossiê aponta que os índios saquearam uma carga de adubo químico, quatro de carne congelada, duas de madeira e uma de cerveja.

Índios (Foto: Reprodução)De acordo com o dossiê, índios comercializam os produtos saqueados (Foto: Reprodução)

A PRF já realizou duas reuniões com caciques das aldeias e com a Fundação Nacional do Índio (Funai) com a intenção de coibir essas práticas. Segundo o inspetor, os caciques confessaram que os índios estariam provocando os acidentes.

De acordo com o dossiê, parte dos produtos saqueados são comercializados nas cidades da região e trocados por dinheiro, mercadorias e, também, por cachaça. O inspetor garantiu que será realizada uma investigação para saber quem são as pessoas que estão aceitando a troca dos produtos.

Quanto aos índios venderem ou trocarem as mercadorias no comércio da região, Tavares afirma que “se não tivesse alguém para comprar, eles [índios] não iam saquear”. Segundo ele, muitas pessoas da cidade, quando ficam sabendo dos acidentes com carga, ligam para os indígenas e pedem para que vão até o local pegar as mercadorias. “Tem gente que transporta eles [índios] até lá”, completa.“ Tem gente que chega lá na hora e ficam negociando com os índios. O índio não tem onde guardar esses produtos. Então, eles vendem uma caixa de frango por R$ 10, R$ 15”, argumenta.

Índios (Foto: Reprodução)Em 2012 já ocorreram oito saques no trecho da BR-277, diz a polícia (Foto: Reprodução)

Tavares, é cacique da aldeia há dois meses, contou que sempre orienta os índios a não fazerem esses saques, mas acabam sendo atraídos pelo dinheiro que as pessoas oferecem para eles saquearem as cargas.

A presidente da Associação Comercial e Industrial de Nova Laranjeiras (ACIN) Marli Moreto, disse não acreditar que algum associado ao ACIN seja um receptador das mercadorias. Segundo ela, só a polícia poderá dizer quem são as pessoas que compram os produtos.

Problema com o MPF, PF e Polícia Civil
Para o inspetor, é preciso envolver o MPF, a Polícia Federal (PF) e a Polícia Civil para tentar buscar uma solução para o problema. “Queremos combater a receptação, punir os próprios indígenas com relação aos crimes que estão cometendo. Cada órgão vai fazer conforme a sua competência”, ressalta Felix.

“Agora nós vamos concluir o estudo para ser enviado ao Ministério Público na semana que vem”, contou. No dia 11 de setembro será realizada uma reunião para discutir ações de combate ao saque com órgãos competentes. “Queremos chegar uma conclusão sobre as ações e possibilidades sociais de trabalho voltado ao benefício indígena”, argumentou.

Índios (Foto: Reprodução)A Funai afirmou que não acredita que os índios provoquem os acidentes (Foto: Reprodução)

A polícia pretende construir um centro de comercialização do artesanato na própria aldeia como fonte de renda e uma horta comunitária deverá ser reativada. Também será solicitado ao governo um reforço pontual de efetivo para aumentar as operações no trecho onde os índios ficam.

G1 procurou a delegacia de Polícia Civil de Nova Laranjeiras. O delegado Helder Andrade Lauria disse que já houve prisões por receptação – sem precisar o número. Segundo Lauria, os receptadores foram pegos em flagrante comprando as mercadorias saqueadas pelos índios. Ele não soube informar se houve alguma prisão neste ano de 2012.

Já o coordenador técnico da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Nova Laranjeiras, Adir Carlos Velosso, disse que só irá se pronunciar após as investigações da polícia acabarem. Contudo, afirmou que não acredita que os índios provoquem os acidentes. Para ele, outras pessoas estariam pedindo para os indígenas saquearem as cargas em troca de outras mercadorias, já que os índios não podem responder pelos seus atos.

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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