Etnodesenvolvimento: Natura compra crédito de carbono de índios PaiterSuruí e Rondônia ganha entra pro mercado internacional.

Terça-Feira, 10 de Setembro de 2013

Rondônia começou a despontar também no cenário internacional como um dos estados brasileiros de maior potencial de desenvolvimento econômico sustentável. Além das duas hidrelétricas de grande porte para geração de energia limpa na calha do Rio Madeira, na mesorregião de Porto Velho, a Natura, uma das gigantes do setor de cosméticos naturais do mundo, adquiriu,na manhã desta terça-feira (10) em Cacoal, as primeiras 120 toneladas de créditos de carbono, “sequestrados” da floresta pelo povo Suruí, no período de 2009 a 2012.

O povo PaiterSuruí conseguiu sequestrar até o momento 250 toneladas de carbono, dos quais a Natura comprou 120 toneladas. Segundo Almir, o seu povo tem ainda 130 toneladas que podem ser negociadas com outras empresas em igual situação. Até o fim do projeto, daqui a 20 anos, pretendem sequestrar um total de 7 milhões de toneladas de carbono.

O ato reuniu, na Câmara Municipal de Cacoal, o governador Confúcio Moura, a representante da Natura, Talia Bonfante, lideranças indígenas como o representante maior do povo PaiterSurui, Almir Surui, empresários e outros convidados.

Almir Suruí explicou que o “sequestro” do crédito de carbono para comercialização é feito da seguinte forma: “imagine uma empresa, uma fábrica, que gera muito gás carbônico e não consegue seguir as normas governamentais que proíbem o excesso de emissão. Pense em um povo indígena que preserva a floresta e suas matas ao ponto de poder garantir a produção de oxigênio, conhecida como ‘sequestro de carbono’, em uma quantidade tão grande que pode ser adquirida por aquela fábrica e repor a sua quota junto aos órgãos governamentais. É isso que a Natura está fazendo, comprando o que preservamos”.

Para chegar até este momento histórico, o povo Suruí teve que superar inúmeras dificuldades desde que foram contactados pelo sertanista da Funai, Francisco Meireles, no dia 7 de setembro de 1969. Após serem surpreendidos com o que chamam de “incompreensível sociedade dos brancos”, de terem que se adaptar ao novo relacionamento e de enfrentarem disputas territoriais com posseiros e garimpeiros, perceberam que somente usando a tecnologia do “branco” em substituição aos seus arcos e flechas, poderiam sobreviver e manter seu modo de vida e suas tradições.

Foi quando adotaram a tecnologia de georeferenciamento, internet, GPS e outras que serão utilizadas neste novo milênio. Abriram-se então as portas para um projeto autossustentável de 50 anos, que vai até 2030, em que os Surui passariam a usar sua maior arma paraprreservação dos ecossistemas, a natureza preservada.

Instituições governamentais e não governamentais deram o apoio e o amparo tecnológico necessário, para que este momento chegasse. Almir suruí admite que “somos o primeiro povo indígena do mundo a fazer este tipo de negociação da forma correta, respeitando a natureza, os preceitos jurídicos, sociais e políticos”.

O governador Confúcio afirmou que o “sequestro de carbono é um produto inovador. Eu pouco sabia a respeito, mas desde que passei a estudá-lo, percebi que podemos repicar este modelo de gestão do povo PaiterSurui, levando a experiência para os produtores rurais do nosso estado, em especial para os da agricultura familiar”.

Essa iniciativa inovadora do povo Surui, segundo ainda o governador, em sua sabedoria e percepção avançada de gestão da natureza, marca o início concreto da sustentabilidade de todos os povos indígenas e das reservas florestais do planeta”.

Confúcio agradeceu as palavras de Almir Surui, que frisou a coragem do governador em vir apoiando o projeto há 2 anos, e lembrou a força e a grandeza deste povo indígena quando resistiu bravamente às tentativas de invasão de suas terras e para mostrar ao mundo que a economia verde é hoje a principal moeda dos que moram na Amazônia. “Por isso somos vistos e respeitados em todo o mundo”.

Ao encerrar, Confúcio Moura explicou que “os Surui não têm só este projeto ambiental, pois eles estarão lançando brevemente mais dois: o Moribei-Piná (em tradução livre: Renascer dos peixes) e o Mangab (Castanha), que são duas marcas certificadas que vão ganhar o mundo e promover a todos nós”.

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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