Vila Nações Indígenas, invasão indígena em Iranduba, revela todo potencial do indigenismo pós-moderno que desafia o estado de direito.

Prefeitura de Iranduba não suporta novas invasões: ‘Não há  condições para acolher novas famílias’.O município de Iranduba, localizado na Região Metropolitana de Manaus, passa por momentos de instabilidade agrária com o acontecimento de duas invasões de terra, nos KMs 4 e 6 da Estrada Manuel Urbano (AM-070), que crescem desordenadas.

Manaus (AM), 16 de Agosto de 2013

JOELMA MUNIZ

Parte do lote ocupado por brancos e índios às margens da estrada Manoel Urbano (AM-070) preocupa pela degradação ambientalParte do lote ocupado por brancos e índios às margens da estrada Manoel Urbano (AM-070) preocupa pela degradação ambiental (Clóvis Miranda)

A Prefeitura de Iranduba acionou seu núcleo de assistência social para realizar um levantamento da quantidade de famílias que vivem em áreas de risco e por isso necessitam de ajuda para conseguir habitação, mas já adianta que não possui condições técnicas nem financeiras para suprir a demanda de novas famílias, que aproveitam a facilidade de acesso dada pela ponte Rio Negro para se instalarem desordenadamente no município, que faz parte da Região Metropolitana de Manaus. O local passa por momentos de instabilidade agrária, com o acontecimento de duas invasões de terra, nos KMs 4 e 6 da Estrada Manuel Urbano (AM-070).

De acordo com o prefeito da cidade Xinaik Medeiros, o compromisso do Executivo é ajudar prioritariamente as famílias que residem nos flutuantes do porto do Cacau Pirera, nas comunidades do Ariaú, Serra Baixa, Lago do Limão e na área urbana do município. “Não temos condições de arcar sozinhos com essa situação, já temos uma demanda acumulada ao longo de muitos anos. A administração passa por dificuldades financeiras com a diminuição do repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e incentivar a criação de novas comunidades é uma irresponsabilidade, já que não teremos como oferecer saneamento básico e escolas”, salientou.

De acordo com Medeiros, aproximadamente 330 casas construídas em convênio com o Governo Federal pelo programa Minha Casa Minha Vida estão em fase de construção e mais 480 fazem parte de um novo convênio que deve ser firmado nos próximos meses, todas para atender apopulação local.

Medeiros diz que está preocupado com a ocupação desordenada do solo ao longo da cidade. Para tentar conter a onda de invasão ilegal, o chefe do Executivo Municipal já acionou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) e Polícia Militar do Amazonas (PMAM), além de anunciar uma ação civil pública no Ministério Público Federal (MPF) contra os invasores, entre eles indígenas que ocupam um terreno de 50 mil metros quadrados, localizado no KM 6 da AM-070 desde o dia 25 de julho.

Com isso, o objetivo do Prefeito é frear crimes ambientais que estariam acontecendo dentro do espaço. “Antes eram 50 barracos, agora são pelo menos 1,2 mil. Temos registros de derrubadas da mata de maneira indiscriminada, mas estamos tendo dificuldade de acompanhar por conta da agressividade do grupo. Pelo menos 90% dessas pessoas vieram de Manaus”, destacou. A agressividade foi retratada nesta semana, quando os invasores tomaram como refém um repórter fotogafico de Manaus que tentava registrar o evento.

Indígenas e brancos juntos
A preocupação dos administradores de Iranduba é evitar que novas invasões acontecem a exemplo da ocupação deste terreno de 50 mil metros quadrados. O local, intitulado por brancos e índios das etnias Sateré-Mauwé, Mundurucu, Mura, Miranha e Apurinã, como Comunidade Deus é Por Nós, cresce de maneira desordenada. De um ponto de ônibus instalado na avenida B, bairro Compensa 3, conjunto Vila Marinho, já é possível identificar o trânsito frenético de pessoas com facões, terçados e enxadas que provavelmente são usadas para abrir o descampado que serve de abrigo para suas barracas.

De acordo com o índio Jhoshua Munducuru, que no último dia 31 recebeu a equipe de reportagem de A Crítica, após aprovação dos líderes da invasão, o principal objetivo do grupo é conseguir a autorização para ficar no terreno justificando a falta de moradia. Ainda segundo ele, várias etnias se uniram em favor da ocupação e justificou a entrada de “brancos” na área invadida em favor da mistura de raças que já tem acontecido entre os povos.

“Os índios tem feito família com os brancos e por isso autorizamos a entrada deles aqui. Necessitamos de casa para morarmos e vivermos com nossos filhos e precisamos de alguém que nos ajude a ficar com este pedaço de terra”, disse Jhoshua.

A conversa rápida e em clima tenso foi finalizada após um grupo de índios, portando lanças de madeiras e terçados, ordenarem que a reportagem se retirasse do local. Os invasores cercaram o local e colocaram uma corrente na entrada onde inspecionam a entrada e saída dos moradores.

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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