Indústria das invasões indígenas aproxima-se das capitais e cresce fazendo estragos.

Indústria das invasões indígenas, migrando dos municípios vizinhos e aproxima-se das capitais para e cresce fazendo estragos.

Manaus, 06 de Setembro de 2013

FLORÊNCIO MESQUITA

Como na invasão liderada por supostos indígenas nos kms 4 e 6, na Nova Ariau a presença de carros é uma constanteComo na invasão liderada por supostos indígenas nos kms 4 e 6, na Nova Ariau a presença de carros é uma constante (Antonio Menezes)

A “indústria” da invasão está tomando conta dos municípios da margem direita do rio Negro sob o olhar plácido do poder público. Depois de A CRÍTICA denunciar a existência de uma invasão entre os kms 4 e 6 da rodovia Manoel Urbano (AM-070), em Iranduba, outra grande invasão está consolidada na mesma rodovia, apenas 30 quilômetros a frente, em Manacapuru. Segundo os participantes, a derrubada da mata começou, na calada da noite, há três semanas, e hoje mais de 400 famílias vivem em barracos improvisados de lona.

Batizada de “Nova Ariaú”, ela fica a 50 metros de distância dos limites de Iranduda, logo após o portal de entrada de Manacapuru, no km 36. Mesmo do Centro de convivência vereador José Monteiro Campelo, na Vila do Ariaú, é possível ver os barracos amontoados em meio ao mato derrubado.

Enquanto a invasão nos kms 4 e 6 é liderada por supostos indígenas que aceitavam a entrada de qualquer pessoa para ocupar a área, a invasão Nova Ariaú só aceita pessoas de baixa renda, segundo informou a A CRITICA um invasor sem saber que estava conversando com um veículo de imprensa. O detalhe é que nas duas invasões, a presença de carros de luxo torna evidente a ação de pessoas com alto poder aquisitivo. O mesmo cenário visto na invasão de indígenas onde estão picapes modelos S10 cabine dupla e Hilux avaliadas em até R$ 145 mil, é encontrado na Nova Ariaú.

A invasão recebeu o nome de “Nova Ariaú”porque fica ao lado da Vila do Ariaú, próximo ao rio de mesmo nome. Os invasores deixaram claro que não vendem lotes, mas coordenam as áreas que podem ser ocupadas por novas pessoas. Contudo, desconhecido não “ganha” lote no terreno, uma vez que, todos que lá estão chegaram por indicação de alguém.

A área é chamada pelos ocupantes de assentamento. Segundo um dos ocupantes, 80% das pessoas que permanecem na área são oriundas da Vilado Ariaú. O restante são pessoas que foram aceitas por indicação.

A forma coordenada como as duas invasões surgiram, na mesma rodovia, deixa claro a existência de uma indústria voltada para ocupação agindo na área. Conforme o que foi comentado no terreno, os lideres teriam orientação de “gente grande” de Manaus e que migrou com o foco das invasões para Iranduba e Manacapuru por conta da facilidade de acesso pela ponte Rio Negro e a construção da Cidade Universitária.

De acordo com os moradores da Vila do Ariaú, a rapidez com que a invasão surgiu foi surpreendente. Primeiro chegaram os “operários” que cortaram e derrubaram árvores e ergueram barracos. Depois vieram os ocupantes com crianças, idosos, rede e colchões.

Movimentos já estão interligados

Apesar dos invasores da “Nova Ariaú” indicar em uma ligação com os ocupantes da invasão no kms 4 e 6, não deixaram claro se os receberão caso sejam retirados na reintegração de posse prevista para a próxima semana. A Justiça do Estado determinou que a Polícia Militar retire as 22 mil pessoas do terreno que pertence a Assembleia de Deus do Amazonas e União até a última segunda-feira, mas a ação foi adiada.

Caso sejam retirados, parte dos invasores deve seguir em direção a Nova Ariaú e ampliar a invasão. Os ocupantes da Nova Ariaú dizem que parte da demanda “poderia” ser absorvida. O agravante éque a ampliação acarretará em maior desmatamento da área e que é feito de forma ilegal. A floresta apresenta vários impactos da ocupação e com a provável chegada de novos ocupantes sofrerá novos danos.

A estratégia nas duas invasões é permanecer e resistir a qualquer tentativa de retirada. O método de ocupação desde a resistência é conhecido pelas autoridades de Manaus, uma vez que, quase todos os bairros da capital surgiram de invasões. O problema mudou de município e passa a ser um desafio para as prefeituras de Iranduba e Manacapuru.

Pelo menos a ocupação de Iranduba está em vias de ser encerrada, visto que, a prefeitura do município deve se reunir com o Gabinete de Gestão Integrada da Polícia Militar (GGI), na próxima semana, para definir o planejamento da retirada dos invasores. A CRÍTICA tentou falar com a Prefeitura de Manacapuru, por meio do telefone 3361-30XX, mas não obteve contato.

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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