Falência da Utopia Antropológico/Indigenista: Macuxis abandonam TI. Raposa/Serra do Sol em troca de trabalho em Boa Vista…mesmo que no lixão.

Clementino trabalha como catador no lixão, de onde diz tirar R$ 40 por dia. (Foto: Valéria Oliveira/G1 RR)Mesmo tendo à sua disposição 1.743.089 hectares, índios Macuxi tem dificuldades em obter sustento contínuo na TI.Raposa/Serra do Sol, uma das maiores terras indígenas do país, com mais de 1000 quilômetros de perímetro, e trocam a liberdade estéril da TI. para preferem ganhar a certeza do sustento vinda do lixão.

Clementino trabalha como catador no lixão, de onde diz tirar R$ 40 por dia.
(Foto: Valéria Oliveira/G1 RR)

Quase cinco anos depois da celebrada vitória do aparato antropológico/indigenista ABA/FUNAI/ONGs é de se perguntar como estão vivendo os índios Macuxi, principais beneficiários da disputada Terra Indígena Raposa/Serra do Sol. Certamente deveriam estar mais felizes, saudáveis, mais prósperos, afinal de contas, numa das mais alardeadas e celebradas demarcações de todos os tempos, o Estado Brasileiro lhes dedicou 1.743.089 hectares com a desintrusão da TI. Raposa Serra do Sol, sobretudo aos índios Macuxi.

Como estariam vivendo e praticando sua subsistência Tradicional? Estariam preservando sua tradicional, praticariam a caça, a pesca e a coleta? Infelizmente, para a tristeza e decepção de muitos deles, a demarcação da TI. Raposa SS. não fez outra coisa senão lhes tira a única fonte de sustento que tinham: o trabalho nas plantações de arroz. Desempregados e abandonados pelo estado muitos vão agora trabalhar no Lixão de Boa Vista.

É o que exemplifica a vida do indígena da etnia Macuxi Clementino da Silva Ferreira, de 51 anos, sustenta os sete filhos e a esposa trabalhando como catador de lixo no aterro sanitário municipal de Boa Vista. Ele trabalha no local há 16 anos recolhendo papel, pedaços de madeira, alumínio, cobre e até restos de alimentos.

Por dia, conforme Ferreira, ele consegue até R$ 40. O material recolhido é vendido para a Cooperativa de Catadores, localizada no próprio lixão. O indígena disse que trabalhava em uma serralheria antes de ser catador mas, após a morte do patrão, ele foi convidado por um amigo para trabalhar no aterro sanitário.

De segunda-feira a sábado, o catador trabalha em uma rotina que se inicia às 7h e termina às 18h. Ele conta que escolheu ‘viver’ e trabalhar no lixão por ser uma forma de ter dinheiro todos os dias.

“Sei que não é um bom trabalho. Mas, tenho dinheiro todos os dias. Não preciso esperar o mês todinho para receber. Tenho que ter [dinheiro] diariamente para comprar pão para os filhos”, disse.

Segundo o indígena, ele conseguiu comprar uma casa com o dinheiro que ganha como catador. “É uma casa simples, sem nada de luxo. Mas foi com o suor do que eu faço no lixão. É algo digno”, explicou Ferreira, orgulhoso dos resultados do trabalho.

Ferreira destacou ainda que nunca levou os filhos para o lixão. De acordo com ele, é uma vida muito sofrida e não quer que eles convivam com a sujeira e a ‘situação feia’ que é encontrada no Aterro Sanitário de Boa Vista. “Se depender de mim, meus filhos nunca vão pisar aqui”, declarou.

Apesar da vida sofrida, convivendo diariamente com mais de 700 toneladas de lixo que são depositadas por dia no local, disputando espaço com mais de 200 catadores do aterro e tendo que fugir dos urubus que sobrevoam o local, o indígena diz que não pretende parar o trabalho. “Só saio daqui no dia que isso fechar ou se eu for expulso”, enfatizou.

Acompanhamento social 
De acordo com a prefeitura de Boa Vista, o acompanhamento social às famílias que atuam ilegalmente como catadores de resíduos sólidos no Aterro Sanitário está sendo intensificado. O objetivo é conhecer a realidade socioeconômica dessas famílias e cadastrá-las para que sejam regularizadas por meio da Cooperativa Unirrenda. Elas também são orientadas para que não permitam a presença de crianças e adolescentes no local.

“Por isso, além de organizar a situação de trabalho por meio do fortalecimento da cooperativa, as famílias serão cadastradas nos programas sociais e as crianças e adolescentes serão inseridos em programas com bolsa para contribuir com a renda familiar”, afirmou a secretaria municipal de Gestão Social, Tarciana Xavier.

A prefeitura municipal prevê a construção de um novo aterro sanitário que atenda as exigências do Ministério das Cidades sobre a destinação correta do lixo e impossibilite a permanência de catadores nas células.

Os catadores disputam espaço com os urubus no aterro sanitário para garantir a sobrevivência (Foto: Reprodução/TV Roraima)Os catadores disputam espaço com os urubus no aterro sanitário para garantir a sobrevivência (Foto: Reprodução/TV Roraima)

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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