Não Fui Expulso da ABA: Pedi pra sair ao constatar total compromisso e submissão da ABA ao Movimento Indígena.

Brasília, 16 de maio de 2013

Nota de Esclarecimento:

Não Fui Expulso da ABA

    Ontem, quinta-feira dia 15 de maio do corrente ano, tomei ciência de que a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) teria, agora sim, de fato efetivado meu já ameaçado, anunciado e prometido desligamento dos seus quadros. Prova exclusiva de sua intolerância e incapacidade de lidar com profissional que pensa diferente e tem liberdade pra fazê-lo.foto

 Lamento tal decisão e renovo meus sentimentos de desapontamento com esta instituição que por décadas se destacou como uma das mais respeitadas e prestigiadas associações científicas do país, mas que atualmente caminha (rasteja?) para o seu absoluto descrédito perante a sociedade brasileira. Informo que tal medida não é surpresa de forma alguma e já a aguardava há muito tempo, tendo em vista o contexto sociopolítico do aumento de pressão interna motivada pelo crescimento do grupo de militantes e ativistas que se avolumaram em força e poder dentro da ABA ao longo da última década até que conseguiram impor sua agenda, seus valores e compromissos à cúpula desta, um dia prestigiosa, mas atualmente ameaçada, banalizada e  desacreditada e associação antropológica.

    Desnecessário dizer do meu respeito pelo ofício e saber antropológico ao qual eu mesmo venho me dedicando com esmero e esforço ao longo de mais de 16 anos, tendo conhecido mais de 30 grupos étnicos no Brasil e o privilégio de conviver e trabalhar com alguns destes e prover assessoria antropológica à algumas destas associações indígenas. Mais do que tudo, pude  servir à alguns desses grupos, à sociedade e ao Estado brasileiro ao atuar como Antropólogo Coordenador de 2 Grupos de Trabalho de Identificação e Delimitação (2003 e 2007) responsável pela identificação de 8 Terras Indígenas, todas elas no estado do Amazonas. Fui enviado ainda num outro Grupo de Trabalho de Demarcação (2005) onde atuei avaliando o desempenho de outros antropólogos em três casos de demarcações desastradas, também no estado do Amazonas.

  À esta altura, talvez seja necessário reforçar e ressaltar minha admiração pela honrosa contribuição dos pais de nossa ciência antropológica em território nacional, que com muito esforço e as vezes com altos custos pessoais, trabalharam, suaram e muito se contribuíram para formação de tão relevante disciplina. São nomes como Edgard Roquete Pinto, Luis da Câmara Cascudo, Gilberto Freyre, Charles Wagley, Eduardo Galvão, Darcy Ribeiro dentre outros que ajudaram a construir e consolidar o prestígio que a antropologia goza (ainda?) não se sabe por quanto tempo, perante a opinião pública nacional.

  Por isto mesmo me sinto indignado e revoltado ao  testemunhar este lento, mas inexorável processo de infiltração, submissão à pressão política e ideológica à qual está sendo submetida nossa ciência que já foi  importante para a compreensão da alteridade étnica e cultural dos grupos e sociedades indígenas, mas que hoje se torna serva submissa aos ditames e caprichos do movimento indígena nacional que se volta contra e ataca a própria identidade nacional essencialmente mestiça.

 O principal fator que compromete a disciplina é o avanço dos militantes e engajados que pretendem utilizá-la como instrumento de indução, manipulação e condução da política indigenista nacional.

O fato incontestável é: sabedores do monopólio institucionalizado que os antropólogos detêm sobre o parecer técnica e o discurso aceito pelo estado brasileiro no que diz respeito à causa indígena e quilombola, um número crescente de militantes e ativistas avançaram para o front acadêmico, dominaram e continuam ingressando em peso na antropologia para dela valer-se como instrumento útil e válido para atender as demandas do movimento étnico organizado.

Assim, esta turma reduz uma ciência inteira à categoria de garoto de recado, que vive para conceder legitimidade científica à todos os seus projetos micro e macro-políticos sejam eles de expansão territorial e do poder simbólico que vem se impondo com força crescente à sociedade brasileira. Mesmo em face dos mais descarados abusos, em tudo a ABA, subserviente consente e concorda. Não posso consentir com isto e declaro que esta associação não me representa, e está cada vez mais distante do ideal acadêmico que deveria ter.

De tentativas de impedir o asfaltamento de rodovias, à construção de barragens hidrelétricas no Brasil, à permanência de ocupantes de um prédio abandonado no Rio, até a aceitação passiva da auto-declaração falaciosa de indivíduos não indígenas, querendo se fazer passar por tal, passando pela tentativa de criação de uma incabível e inaceitável terra indígena em Brasília (a lista de desmandos e insanidades é longa), enfim….. não há um único projeto político do movimento indígena, um único sequer, que esta ala radical dos antropólogos que tentam monopolizar a ABA, não tenham endossado; seja por meio de seu vigoroso apoio pro-ativo à agenda indigenista/ambientalista, seja pelo silêncio que coaduna e não expõe as consequências deletérias e as mazelas do indigenismo radical.

  Informo ao Brasil, que tal postura se exacerbou na última década, chegando a um ponto em que, ao menos para mim, se tornou absolutamente inaceitável e reprovável para uma instituição que se pretende acadêmica e científica, mas que na prática se torna cada vez mais uma organização política que vende a imagem de imparcialidade e autonomia de pensamento, mas na prática, estimula, pratica e exerce o controle das vozes dissonantes com mão de ferro revelando à todo Brasil o seu evidente posicionamento político e função fisiológica neste processo de etnicização do país: aplaudir e legitimar as demandas do movimento.

Já há anos, desde 2005, não me sentia representado por esta associação, mas tentei e fiz o que pude para tentar corrigir esta tendência quando dentro desta ABA. Confesso que não fui bem sucedido e nada consegui, à não ser inimigos e adversários. Portanto, foi atendendo à demanda de coerência com minha livre consciência, achei por bem me desligar da ABA até que esta tendência política e ideológica radical seja refreada ou equilibrada por regras e fatores democráticos que devolvam à ABA a seriedade, a credibilidade, a orientação e o caráter científico pela qual ela sempre se caracterizou e foi respeitada.

É minha avaliação que  este  grau de compromisso e submissão de muitos de meus colegas e sobretudo da diretoria da Associação à esta agenda política do movimento indígena coloca sérias dúvidas sobre a capacidade de autonomia da produção do conhecimento antropológico e joga insanáveis questionamentos sobre a credibilidade e a habilidade de emissão de laudos e pareceres técnicos que, em tese, deveriam zelar pelo compromisso com a verdade, com a isenção e com a imparcialidade. Não é isto que a sociedade brasileira tem testemunhado ao longo desta última década, ao contrário, viu crescer os questionamentos quanto a validade dos laudos antropológicos, a dúvida acerca dos reais interesses do aparato indigenista/ambientalista e o caos fundiário que  . 

Entendo que tal direcionamento é derivado de uso e abuso do poder destinado aos antropólogos, que é utilizado por esta parcela crescente de militantes e ativistas engajados vêm cometendo sucessivamente contra a nação brasileira. Abuso este com o qual não concordo, não subscrevo, não corroboro, mas pelo contrário, venho insistentemente denunciando desde o primeiro semestre de 2010, quando me manifestei diversas vezes, por meio de mensagens enviadas à diretoria da Associação, à revista Veja, à parlamentares e à diversos outros instrumentos e canais midiáticos nacionais.

   Infelizmente, desde minha primeira tentativa de denunciar tal estado irregular das coisas, ainda numa palestra proferida na segunda semana maio de 2010 venho sendo pressionado e sofrendo forte oposição, primeiro de outros colegas antropólogos, mas ainda no mesmo ano pelo membros do Comitê de Ética da ABA que veio reiteradamente tentando me silenciar, ou me concertar e fazer reconsiderar minhas declarações à imprensa  e o que penso sobre os problemas intrínsecos na atuação dos antropólogos nesses últimos processos demarcatórios  deste século XXI.

  Em duas ocasiões respondi ao Comitê de Ética da ABA sustentando e apresentando motivos que possuo para reafirmar minha posição de que lamentavelmente alguns antropólogos, seja por compromissos pessoais, voluntários e ideológicos, seja por compromissos financeiros ou por vínculos com organizações não-governamentais, estão dispostos a negociar o compromisso com o rigor e a honestidade científica, e abrindo e cedendo espaço para manipulações perigosas e interpretações distorcidas dos fatos. Creio que esses são motivos mais do que suficientes para que qualquer denúncia desta natureza fosse investigada.

  Face à tais constatações do compromisso e da submissão destes antropólogos aos interesses da agenda e do movimento indígena serem a maioria dentro da ABA, não vi outra alternativa à não ser pedi para sair e ser formalmente desligado desta Associação Brasileira de Antropologia antes de qualquer deliberação da ABA a este respeito.

   Por este motivo não aceito esta descrição errônea, humilhante e vergonhosa descrição que fere a minha idoneidade e meu caráter afirmando que eu teria sido “expulso” da ABA. Não fui Expulso da ABA. Não tive outra alternativa à não ser me desligar ao constatar total compromisso e submissão dos antropólogos que compõem boa parte da ABA ao Movimento Indígena cada vez mais sustentado e financiado pelo capital estrangeiro e pontando uma agenda de interesses políticos distintos do povo brasileiro.

Fui até a sede da ABA em Brasília formalizar pedido e solicitei que fossem corrigidos estes erros de informação veiculados por este Tuíte da ABA (que consta na foto acima) em sua conta no Twitter (@aba_ant) e em seu perfil no Facebook:

https://www.facebook.com/ABA.antropologia/posts/575399322480930?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

Mas até hoje não obtive resposta desta Associação.

Esclareço por fim que a antropologia é em essência uma ciência interpretativa que sempre prezou pela diversidade de opiniões e interpretações. Mas a atual conjuntura política interna e externa dentro da ABA tem levado à uma configuração de poderes na qual se sentem no direito de tentar impor descaradamente e manter à toda força uma interpretação única, monolítica, enviesada e ideológica dos fenômenos sociais em trânsito no Brasil, notadamente o que é por eles denominado por etnogênese que tem aberto uma enorme porta para todo tipo de manipulação. A atitude da ABA para comigo é só mais uma prova do patrulhamento e da perseguição ideológica à qual está submetida parte dos antropólogos e da qual estou sendo vítima.

Aguardarei ansiosamente este dia, quando poderei retomar o diálogo e a convivência com meus colegas antropólogos, pelos quais tenho o mais elevado respeito. No momento estou sendo vítima do mais violento ataque da patrulha ideológica de ativistas e militantes que percorre a internet e as redes sociais à procura de um inimigo a quem condenar à fogueira ardente do século XXI. Espero sobreviver para poder ver mudar tal postura e raiar o equilíbrio, o bom senso e a democracia dentro desta ala da academia.

Sem mais a declarar no momento, me coloco à disposição de quem quiser para prestar maiores esclarecimentos.

Att, Edward M. Luz. Antropólogo Social. Mestre e Doutorando em Ciências Sociais UnB.

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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4 respostas para Não Fui Expulso da ABA: Pedi pra sair ao constatar total compromisso e submissão da ABA ao Movimento Indígena.

  1. Pingback: Não Fui Expulso da ABA. Pedi pra sair ao constatar total compromisso e submissão da ABA ao Movimento Indígena – Edward Luz –

  2. eu disse:

    Incrível que a mesma hipocrisia ocorre com Joaquim Barbosa no meio jurídico,só por ele falar a verdade.Qualquer um é capaz de perceber que há falhas no processo de demarcação.

  3. Pingback: Felipe Milanez e sua incrível capacidade de mentir, distorcer os fatos em nome de uma causa. | Revelando #SegredosdaTribo

  4. edwardluz disse:

    Republicou isso em Revelando #SegredosdaTriboe comentado:

    Pelo seu conteúdo revelador, sempre vale à pena ler novamente

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