Restrição de tráfego em reserva Waimiri-Atroari gera tensão crescente na rodovia BR-174

Na divisa do Amazonas com Roraima, outro barril de pólvora, cujo pavio é a difícil convivência interétnica está prestes a explodir.

Com a restrição de passagem de veículos do anoitecer até as 6h do dia seguinte, produtores se dizem prejudicados – foto: Alexandre Fonseca

Desde o último sábado (7), um grupo de índios Waimiri-Atroari aguarda a chegada de caminhoneiros e produtores rurais de Boa Vista que querem a abertura da rodovia BR-174 (Manaus-Boa Vista) 24 horas por dia na região da reserva indígena. Hoje, aquela área só é liberada para o tráfego entre 6h e 18h, após o que a passagem é permitida somente para ônibus de passageiros.

Os produtores rurais do Estado vizinho apontam que o setor está sendo prejudicado com as restrições, enquanto os indígenas afirmam que a liberação do tráfego para caminhões e veículos de passeio entre 18h e 6h traz perigo de atropelamento para a fauna da reserva.

Por conta de um possível conflito com os caminhoneiros que querem forçar a liberação da rodovia naquele trecho, os indígenas chegaram a pintar o corpo e se armar para resistir a qualquer tentativa de confronto.

Dos 974 quilômetros que ligam as capitais dos dois Estados e Pacaraima, no território roraimense, 123 passam por dentro da reserva Waimiri-Atroari.

Do lado de lá, o movimento cresce para por fim às correntes colocadas pelos indígenas. De acordo com uma publicação de Roraima, o deputado Brito Bezerra (PP) protestou na semana passada contra as restrições impostas pelos indígenas, atribuindo a elas prejuízos a empresários e à própria população. Para justificar sua indignação, o parlamentar apresentou uma moção de apoio ao protesto ‘Roraima livre, Roraima sem correntes’, afirmando ainda que no decreto de homologação da reserva indígena não cita as correntes colocadas pelos Waimiri-Atroari. Desse modo, não haveria amparo legal para o ato.

Outros deputados roraimenses, como Flamarion Portela (PTC) fizeram coro ao colega, chamando a atenção para a reserva São Marcos, ao norte de Boa Vista e também cortada pela BR-174, onde não há correntes colocadas para impedir o tráfego livre.

O fechamento diário da rodovia gerou um protesto de três horas no último sábado, a partir das 18h, envolvendo empresários e produtores rurais do movimento “Roraima livre, Roraima sem correntes”.

Inicialmente o movimento duraria 12 horas, mas os manifestantes diminuiram o tempo acatando sugestão de agentes da Polícia Rodoviária Federal, uma vez que o tráfego na rodovia não é intenso nos fins de semana.

Enquanto isso, do outro lado da ponte Rio Negro, o clima ainda é de tensão na área de 150 hectares ocupada por invasores no quilômetro 4 da rodovia Manoel Urbano (Manaus-Manacapuru), no município de Iranduba (distante 27 quilômetros da capital). Índios e não-índios continuam a chegar em massa na área particular com metade das terras de posse da União.

Uma decisão para definir o destino da área e posteriormente a situação dos ocupantes seria avaliada em reunião organizada ontem pelo Gabinete de Gestão Integrada (GGI), juntamente com o comandante da Polícia Militar do Amazonas, coronel Almir David, o secretário de Segurança Pública, Paulo Roberto Vital, Fundação Nacional do Índio (Funai) e outros.

A assessorial de comunicação da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) informou nesta segunda-feira (9) que a reunião não aconteceu, porém estaria acompanhando qualquer decisão sobre o caso.

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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