Uma resposta lógica e factual ao raciocínio distorcido e infundado do ONGueiro militante engajado Leandro Mahalem.

Embasado na autoridade etnográfica concedida pelos fatos históricos e sociais relatados pelos seus interlocutores, o antropólogo Edward Luz continua sustentando que a melhor interpretação para o fenômeno de “etnogênese” no baixo Tapajós e Arapiuns é de que se trata de manipulação identitária promovida por uma pequena parcela politizada de uma mesma sociedade cabocla ribeirinha tapajônica. A imensa maioria deste movimento quer benefícios estatais, mas a liderança quer a demarcação de terras indígenas como estratégia para barrar empreendimentos econômicos.

AVISO AOS ANTROPÓLOGOS ONGueiros ENGAJADOS: A autoridade etnográfica será um empecilho para a agenda ambientalista etnicizante no Brasil que atenta contra a cultura, a identidade e a unidade cabocla mestiça do povo amazônida.

Edward Luz (Antropólogo Social)

Na tarde do domingo dia 10 de março do corrente ano, fui finalmente surpreendido com a publicação do texto “Uma resposta possível à “lógica e inequívoca interpretação antropológica” do missionário antropólogo Edward Luz”. O mesmo artigo foi agora republicado na edição Tal no dia 18 de março aqui neste mesmo jornal Gazeta de Santarém.

Ufa!!! Face à gravidade das sérias constatações que minha pesquisa apresenta, foi um alívio saber que finalmente havia pelo menos uma reação minimamente aceitável. Dentre uma montanha de baixarias, impropérios e xingamentos endereçadas à mim e os resultados de minha pesquisa sobre o controverso caso das ditas “etnogêneses” do baixo Tapajós, esta foi a primeira reação razoavelmente consistente e minimamente aceitável de um antropólogo brasileiro.

Dado à situação de descrédito social à que ciência antropológica vem sendo arrastada e submetida pela parcela crescente de militantes antropólogos, sempre engajados e comprometidos com suas causas e dispostos a fazer dela uma ciência subserviente à agenda política de ONGs inter/nacionais e de seus movimentos etnicizantes por elas sustentados, cheguei a pensar que, ninguém, nenhuma autoridade publica ou acadêmica leria ou mesmo notaria minha carta encaminhada ao jornal foi postada em sua versão digital sob o título Antropólogo nega existência de indígenas Boraris no dia 25/02 para quem quisesse ler, questionar, comentar e informar-se das denúncias nele veiculadas para analisa-lo e contestá-lo.

Evidentemente, com este título (tratarei dele mais adiante) a mesmo teve uma repercussão inesperada gerando uma onda de críticas nas redes sociais, trazendo em sua grande maioria, reações as mais violentas, baixas e grosseiras possíveis (do tipo: vá se ferrar seu beato facista) ao texto e seu autor, revelando em grande medida o grau da paranoia e da consciência culpada e de trauma que o povo brasileiro carrega. Neste contexto de forte ditadura do politicamente correto, não há tempo nem espaço para posições equilibradas, nem tolerância para a prática da antropologia imparcial. Expressar sua opinião, ainda que sobre uma estratégia muito pontual e específica do movimento indígena pode ser algo extremamente perigoso, e motivo suficiente para reações violentas. Já andam falando em processar judicialmente quem ouse pensar diferente. Violentas reações verbais abundaram, mas uma resposta civilizada, intelectual aceitável e elaborada demandava bem mais do que isto, exigindo sobretudo, conhecimento antropológico específico da realidade e isto, nem todos podem dar.

Por isto mesmo eu desconfiava que pelo menos um antropólogo se sentiria diretamente incomodado e confrontado pela publicação da referida carta: meu alvo direto era mesmo o neófito Leandro Mahalem de Lima. Também pudera, meu artigo de duas páginas é uma ameaça corajosa, ousada e inusitada aos projetos ambientalistas e conservacionistas às quais o jovem se alinha e se submete. Recrutado antes mesmo de sair da universidade, financiado como investimento à longo prazo, pago com uma parcela dos dólares remetidos por ONGs americanas para suas filiais inter/nacionais, Mahalem investiu quase uma década de sua vida no trabalho árduo de se preparar para enfrentar os desafios de fornecer legitimidade necessária para a implementação da agenda conservacionista internacional em seu projeto político de retirar do Brasil o controle e acesso aos seus recursos naturais, ou complicar tanto o acesso a ponto de se tornarem inviáveis. Como a quase totalidade dos índios brasileiros já tem suas terras demarcadas, a estratégia agora é reivindicar terras indígenas para populações tradicionais caboclas e mestiças, que perfazem a população daquela região e se desdobrar em malabarismos hermenêuticos antropológicos para justificar e legitimar a façanha.

Neste contexto e com este histórico de vida, era mais do que sua obrigação do rapaz defender a qualidade de seu trabalho e a validade de sua nova inquestionável tese antropológica de que, bem vamos lá: os caboclos tapajônicos sempre foram… ainda são… nunca deixaram de ser, mas por via das dúvidas… nos últimos 8, 6 ou 4 anos voltaram, agora sim a ser indígenas mesmo [é confuso mesmo, mas isso pouco ou nada importa para a FUNAI] e, a despeito da incredulidade generalizada da sociedade regional que testemunha a tudo intrigada, assim devem ser reconhecidos pelo estado brasileiro, enquanto os espectadores se tornam vítimas.

E se depender do jovem, do atual sistema demarcatório e do aparato ditatorial de imposição da vontade destes experts via FUNAI aparelhada, esta será atitude do estado em obediência à sua carimbada etnogênica e sua resolução inquestionável: Sim, caboclos do Arapiuns são indígenas sim. Tá vendo aqui?  Meu diploma, minha tese e minha pesquisa paga pelas ONGs garantem o meu aval!!!  Demarca logo esta terra! E todo povo diga: Amém.

Ainda não está bem claro os meandros das articulações e negociações entre ONGs e FUNAI, mas ao que tudo indica, Leandro Mahalem, justamente por manter estreitos laços com ONGs inter/nacionais, conhecia muito bem a agenda e as metas preservacionistas internacionais para o baixo Tapajós e, sabedor dos planos e da arquitetação, se preparou durante longos anos de estudos, para ser de fato o melhor candidato, a pessoa certa, no local certo e no momento certo, que poderia então, com o título de expert, atender as demandas da agenda preservacionista etnogênica inter/nacional. Após longos anos de preparo, o rapaz foi, como esperado, aprovado em concurso, e pode então oferecer “sua contribuição independente” (seja lá o que isso signifique) às intenções demarcatórias da Terra Indígena Cobra Grande há quase uma década anunciada FUNAI, já toda ela também dominada por ONGueiros do mesmo quilate.

Ao que tudo indica, Mahalem surgiu para a FUNAI como alternativa para socorrer uma tentativa demarcatória fracassada que se arrastava desde 2001 de convencer o estado brasileiro a demarcar ao menos a Terras Indígena Cobra Grande. De fato não está claro ainda o que aconteceu, mas parece que até agora nem ele, nem seu antecessor, nem nenhum outro expert conseguiu ainda dar conta da tarefa relativamente simples, de convencer os próprios servidores antropólogos da FUNAI de que aquela população mestiça cabocla é, de fato, indígena e não cabocla.

Salvo engano, o trabalho realizado por três antropólogos enviados para coordenar grupos de trabalho de identificação e delimitação em 2008, redundaram em trabalhos tão superficiais, mal sustentados e inconsistentes que a própria FUNAI engavetou dois deles não publicando seus resumos no Diário Oficial da União, conforme me relatou uma das ex-coordenadoras do CGID.

Para a sua própria vergonha e prejuízo a FUNAI só publicou o terceiro, da Terra Indígena Maró, por causa da ameaça de multa de R$ 5.000 diários, imposta de forma grotesca e violenta por ação do Ministério Público Federal de Santarém, segundo a declaração e palavras do próprio Marcio Meira, quando estive com ele ano passado.

Deve ser muito, muito chato, conviver com e fracasso público de, mesmo tendo sido pago pelo estado brasileiro, ou por ONGs inter/nacionais, ou por ambos simultaneamente, não ter conseguido dar conta do mínimo esperado de um antropólogo e saber que sequer conseguiu realizar o mínimo que era dele esperado. Com tantos vícios de origem, de forma e de argumentação a própria FUNAI teria reenviado o seu relatório para a reelaboração, enquanto engavetou definitivamente o de Ricardo Neves que tentou a mesma proeza com relação à Alter do Chão.

De modo que me resta constatar, salvo melhor informação, que foi a própria inexperiência e/ou inabilidade de Leandro Mahalem, em fazer sua mágica etnogênica acontecer, o maior e talvez o único motivo pelo qual, eu e o resto do Brasil, ainda não tivemos o privilégio e a oportunidade de nos deleitarmos com a sapiência na leitura de seu esperado relatório de identificação e delimitação. Mas continuo aguardando ansiosamente por este momento.

A depender somente da paciência do Ministério Público Federal, eu não terei que esperar muito para conhecer e revelar ao Brasil os malabarismos hermenêuticos empregados pelo colega para fazer a mágica etnogênica acontecer. Enquanto escrevia essas poucas linhas acabo de ler notícia na qual a Procuradora da República do Estado do Pará, Nayana Fadul acabou de estabelecer o prazo de 30 dias para que a FUNAI “forme um grupo técnico (outro?) para concluir os estudos de reconhecimento do território (??)”. Tudo muito estranho.

Mesmo enfrentando dificuldades em sua empreitada de fazer emplacar sua proposta etnogênica ao governo brasileiro, (tarefa bem mais simples já que ele foi pago pra fazer exatamente isso) o rapaz agora se arrisca e se esforça de corpo e alma para fazer um trabalho melhor e tentar convencer uma banca de doutores da USP, e com ela grande parte da antropologia brasileira de que: à despeito dos eventos históricos, da realidade sociocultural claramente identificável como mestiça, dos fatos sociais e sobretudo da vigência do atual sistema de socialização cabocla mestiça, responsável pela auto-identificação cabocla mestiça ribeirinha tapajônica, da grande maioria da população de todas as comunidades da região… sim, à despeito da lógica histórica e sociológica, dos dados e dos fatos, Mahalem esforça-se para provar que alguns poucos indivíduos caboclos, de algumas poucas comunidades caboclasdiferente da grande maioria de seus parentes, são índios e como tal devem ser reconhecidos pelo estado brasileiro.

Como esperado, foi exatamente deste esforçado militante, que usa o instrumental antropológico para alcançar seus fins demarcacionistas, que veio finalmente a primeira reação “acadêmica” com profundas pretensões de seriedade e credibilidade. Aliás, diga-se de passagem, o texto vem sobrecarregado de todos os símbolos e ícones de validade e autoridade acadêmica, que em tudo difere daquelas linhas meu textinho de duas (2) páginas escritas às pressas numa tarde de quarta-feira.

Dispensáveis artifícios simbólicos de ostentação da intelectualidade Antropológica…

A distinção entre a verdadeira ciência antropológica e o texto de um antropólogo impostor, precisava ficar clara e óbvia. Para tanto, lá estavam os brasões e as armas alinhavadas: complexas construções frasais, linguagem formal e rebuscada, expressões herméticas tais como clássico opúsculo, (rsrsrs…por Geertz, rsrsrs….opúsculo!!!), frases quase indecifráveis em determinados pontos, além das necessárias referências bibliográficas, muitas referências estratégicas. Doze ao todo, entre elas as figurinhas mais icônicas e carimbadas do universo antropológico Peter Gow e Manuela Carneiro da Cunha, Marshal Sahlin e é claro, não poderia faltar Claude Lévi-Strauss. Todos capazes de abrilhantar, referendar e tornar antropológicas da uma das cansativas e longas quinze (15) respeitáveis páginas. Afinal, é preciso muito capital intelectual para se negar os fatos identitários e a fala de pobres caboclos amazônicos.

Confiáveis páginas de texto, respaldadas por mais duas respeitosas de Bibliografia Citada em conformidade com as mais recentes normas técnicas da ABNT. Tudo já “muito importante” como ele alardeou na internet. Tudo muito importante e sério e formal e respeitoso o suficiente para o respeitarem!!!  Mas não, não era o suficiente.

Para certificar-se de que sua resposta seria recebida positivamente nos círculos acadêmicos e reconhecida como dotada de autoridade e respaldo, devendo portanto ser respeitada basicamente por isso e talvez só por isso, o autor não titubeou: certificou-se de ostentar em todas as páginas o criativo timbre do Centro de Estudos Ameríndios no cabeçalho, e por mais desnecessários que pareçam ser, os endereços eletrônicos, e o email de sua instituição que agora lhe empresta a autoridade necessária para o desafio que se impõe: desacreditar, desmerecer e um ser intruso que se alvora antropólogo para questionarfrontalmente os resultados de anos de serviços e pesquisas.

O peso e a gravidade do linguajar, do estilo dos ícones revelam portanto a inequívoca mensagem de que, para participar dessa nova elite política intelectual em que se tornou a antropologia brasileira os pretendentes têm que estar timbrados, carimbados, registrados e autorizados se quiserem voar. Vôs solos e trajetórias heterodoxas serão entregues à fogueira das execrações públicas ou condenados ao deserto do silêncio insignificante.  Conheço bem este lugar. É lá que eu estou e é de lá que eu saio de vez em quando para atormentar esta tribo ativista do status quo antropológico militante e engajado em qualquer movimento social.

Mas sua resposta é também é em certo sentido uma espécie de síntese organizada dos mais variados comentários reações que recebi e respondi nestas semanas, refletindo de várias formas os principais estereótipos, mal entendidos e desinformações à meu respeito e acerca daquilo que pensam que eu fiz e seguirei fazendo enquanto me permitirem.

Seu texto de resposta se divide em duas partes que harmonizam convenientemente seus dois únicos objetivos: 1) denegrir minha pessoa, desacreditar desqualificar minhas credenciais e 2) tentar detonar com as afirmações, considerações e contradizer as conclusões de um texto de informação à sociedade de duas páginas que escrevi.

Ao invés de ir direto ao assunto e debater e tentar derrubar os meus argumentos, Leandro resolve apelar para a técnica fácil e preguiçosa de entrar num debate: desqualificar o interlocutor antes mesmo de considerar suas argumentações. Estrategicamente então Leandro, sem um pingo de seriedade e muito menos de preocupação de saber quem é este interlocutor que agora parece emergir, apresenta uma montagem fictícia de todo tipo de estereótipos com objetivo claro e escancarado de denegrir, desacreditar e desmerecer minha pessoa, meu caráter e minhas reais intenções. A violência do seu ataque que desfere, revela a importância em desacreditar o seu crítico, antes mesmo de analisar seus argumentos.

Para atingir seu primeiro objetivo ele se apropria de uma versão caricata e debochada de minha biografia, contada por um jornalista igualmente militante do preservacionismo, que faz com o jornalismo aquilo que ele faz com a antropologia: submete-os aos interesses políticos de sua agenda. Segundo esta versão eu seria uma espécie de pseudo-antropólogo fanático religioso, filho de um pai etnocida, que agora o sucede no comando de instituições religiosas medievais altamente capitalistas, orientadas à pregação de uma leitura estreita e radical do evangelho financiada por madeireiras, mineradoras e peloagrobusiness com missão é provar que não existem índios no Brasil. Uma espécie de etnocida de aluguel, à serviço do grande capital e disposto às maiores atrocidades contra as populações indígenas. Visão mais estereotipada impossível.

Para implementar seu projeto de desqualificação e degradação de minha pessoa, Leandro omite completamente minha formação acadêmica pela Universidade de Brasília, uma das melhores e mais respeitadas instituições de ensino de antropologia do país, onde eu inclusive também sou doutorando, como ele; ignora todos os meus 16 anos de vivência ininterrupta de antropologia, toda minha trajetória de positiva atuação e convivência com sociedades e organizações indígenas no norte e centro-oeste do Brasil, omitindo inclusive meus anos de contribuição na FUNAI quando participei ativa e diretamente na identificação e delimitação de mais de oito terras indígenas no estado do Amazonas.

Mas é claro, nada disso interessa aos seus objetivos, nada disso conta ou vale já que o lance neste momento é demonizar, desumanizar e denegrir o outro que quer colaborar com o aprimoramento da compreensão antropológica do fenômeno chamado de “etnogênese” com suas criticas e avaliações sinceras, honestas e construtivas.

Em sua descrição “altamente realista” sobre mim, só faltou ele dizer que na verdade tenho poderes auto-regenerativos, guarras retráteis de adamantiun, mais de 120 anos, lutei ao lado do Eixo do mal nas duas Guerras Mundiais, participei também ativamente da criação e promoção do Apartheid sul-africano, e que depois da morte da Princesa Amdala ando por aí vestido de negro espalhando trevas e terror com uma voz rouca e capacete tenebroso. Sua descrição é tão caricata que seria até engraçada se não revelasse uma enorme carga etnocêntrica, desrespeitosa e intolerante que vem abundando e transbordando nos círculos antropológicos nos dias atuais.

Ora, não há nada de errado em fornecer informações para situar o lugar de fala do autor, mas não é isso de que se encontra em suas linhas e sim de induzir o preconceito e desqualificar o autor, porque francamente: com uma introdução destas, que quem iria querer ler, ouvir ou sequer considerar qualquer palavra dita por um monstro insensível deste quilate?

Sejamos ao menos sinceros: Não há dialogo possível entre a respeitável academia com um “verme rastejador”, um ser “nascido nas trevas”, “lambedor das botas do agronegócio e de madeireiro”, com um a bagagem destas que parece me condenar “a ser o lixo da história” ou a nata do lixo da antropologia brasileira. Pelo menos é o que pensam outros antropólogos que assim se referiram à minha pessoa. Longe de ser uma apresentação com o objetivo de situar o local de onde falo, trata-se de uma descarada tentativa de desacreditar quem faz as denúncias sérias como a de manipulação identitária, na esperança de mudar os fatos ao desacreditar quem denuncia.

Houston, we have a problemhá lógica na fala do infeliz.

Ora, só tem um pequeno detalhe meio chato entrave em seu projeto de denegridor: ao que tudo indica,eu ainda pareço ter alguma racionalidade, e infelizmente, o que eu disse e continuarei dizendo, parece fazer algum sentido. O próprio Mahalem é obrigado a reconhecer que minha suposta “lógica inequívoca de argumentação antropológica” acaba por encontrar “algum eco” tanto no senso comum quanto nas mais elevadas instâncias do legislativo, do executivo e do judiciário. Trata-se de uma lógica simplista e simplória, de uma antropologia ultrapassada e espúria é claro, mas que também precisa ser rejeitada e superada para dar espaço ao verdadeiro saber antropológico que agora emana dos movimentos étnicos organizados.

Mahalem então parte para outra sessão de espancamento público onde agora o objetivo é basicamente o mesmo: 1) desmerecer, desacreditar e detonar com minha lógica e raciocínio, 2) com base em suposições, provar que faço uma leitura equivocada da tradição de estudos caboclos iniciada nos anos 1940, por antropólogos como Charles Wagley e Eduardo Galvão e 3) mostrar como meu método está atrasado posto que embasado num “arranjo raso” do registro da geração de 1940 e, ao fazê-lo, desconsidero toda a antropologia realizada nas últimas décadas, além é claro de 4) pontuar aqui e ali supostos erros, vícios retrôs, duplos clichês dentre erros desatualizados, suficiente para revelar meus erros e detonar com minha etc…

Como é numerosa a argumentação redundante, lamento não poder analisa-lo de todo, aliás lamento não poder perder tempo respondendo e defendendo pontos que ele diz que eu defendo, mas não defendi em lugar algum. Creio que é melhor expor novamente meus pontos para ver se são, pelo menos desta vez, melhor compreendidos. Mas sigamos na análise da lógica distorcida de Mahalem.

Imbuído deste intento então Mahalem inicia um impressionante prova da capacidade de distorção que supostamente seria capaz de resumir a essência do meu pensamento com palavras que eu não utilizei, para resumir pensamentos e argumentos que eu nem sustento. Refletindo sua suas próprias capacidade mental de criação ele chama de “simplórios” os argumentos criados por ele mesmo para poder melhor combatê-los. Seja para facilitar o seu trabalho, seja pela incapacidade de extrair os argumentos de meu texto, em sua aritmética defasada, seriam só dois os problemas a serem enfrentados em sua empreitada etnogênica:

  1. A existência de descontinuidades históricas e divisores culturais intransponíveis entre os padrões de cultura indígena e os padrões de cultura nacional em todo o vale do Amazonas;
  2. A constatação do caráter culturalmente construído dos processos políticos de invenção das tradições, como se tal processo de construção fosse a evidência de uma farsa.

Mahalem é tão bom no que faz que além de abstrair uma essência errada e distorcida dos argumentos que apresento em meu texto erra também na hora de atribuir-lhe a necessária autoridade. Vícios do ofício. Cordeirinho manso, e treinado para reproduzir o mesmo modelo de autoridade eclesiástica dos círculos iniciáticos dos segredos antropológicos, Mahalem corre para identificar logo quem são os santos por trás do médiun, ou os papas por trás do credo.

Se fosse mais cuidadoso e tivesse um pouco mais de humildade e auto-controle, teria simplesmente me perguntado, como fez a pesquisadora da FIOCRUZ Maria Paula Bonatto em um dos poucos comentários válidos e frutíferos ao meu texto, onde me pergunta com educação sobre os teóricos em que baseio meus estudos e conclusões.

Desorientado, mas arrogante, e aperreado para escrever e dar uma resposta à altura e salvar sua honra e a validade de sua agenda, a qualquer custo, mesmo sem saber de onde retiro “minha autoridade”, Mahalem adentra no terreno da especulação e da descarada suposição concluindo que eu teria baseado minhas conclusões no legadotrabalhos e contribuições teóricas de pensadores como Gilberto Freyre, Charles Wagley e Eduardo Galvão. Passou longe e errou feio.

Mesmo que fosse um pouco menos respeitoso e menos orgulhoso, Mahalem poderia ter feito como a antropóloga Celene Fonseca e demonstrado sua estranheza com relação às minhas declarações e ter perguntado em semelhante tom e teor: Como ele (Edward) pode “determinar” a “não-indianidade” dos ArapiunsQuem lhe confere esta autoridade?

A resposta para estas duas perguntas é a mesma: a boa e velha autoridade etnográfica.

É isso aí, a boa e velha autoridade etnográfica tão depreciada pela corrente pós-moderna da antropologia continua viva e ativa em terras brasileiras é o que nos lembra Roberto Cardoso de Oliveira. E por aqui, diga-se de passagem, ela nunca foi seriamente questionada. O que o “Dotô” antropólogo falou, tá falado e quem é você, não-antropólogo, pra questionar?

Pois bem, só que muita coisa mudou no país e chegamos a um ponto de extremo desgaste e descrédito das diversas sociedades que compõem o povo brasileiro não estão mais aceitando passivamente os usos, abusos e imposições de alguns poucos membros desta elite intelectual que andam por aí manipulando os dados e a realidade e resolveram partir pra cima investigar, questionar e botar a boca no trombone gritando por socorro.

Foi isso que fizeram e é isto que continuam fazendo os membros das 11 comunidades dos rios Maró e Aruan quando questionaram diretamente a legitimidade do processo e . São eles, com suas biografias, suas vivências que me conferem a autoridade etnográfica que alego possuir. E o que eles. Eles me elegeram para ser seus intérpretes. E o que eles têm a dizer?

Como são vários E aqui eu espero estar sendo um bom intérprete de suas preocupações, questionamentos e constatações. Em harmonia com todos os relatos que coletei em campo posso resumir os testemunhos as seguintes constatações:

  1. Membros de todas as comunidades visitadas na calha do Arapiuns e do Tapajós alegam que possuem em comum com os militantes e com a massa recém-chegada ao movimento indígena, todos os elementos que compõem a existência humana, inclusive a mesma herança genética, o mesmo sistema de crenças, a mesma estrutura social e, sobretudo as mesmas formas de uso tradicional do território que tradicionalmente ocupam;
  2. Membros de todas estas comunidades alegaram que todos ali são igualmente herdeiros do mesmo processo de colonização e miscigenação biológico e cultural que, para o benefício ou para o prejuízo de todos, ali naquela região transcorreu livremente por quase cinco séculos de convívio contínuo, gerando uma realidade sociocultural que indivíduos de todas essas comunidades da região compartilham.
  3. Por meio de suas falas, pelo testemunho que deram de suas meus interlocutores se esforçaram para afirmar que claro que estão todos ali naquela região igualmente emaranhados e enredados na mesma teia de significados simbólicos e socioculturais que há séculos seus antepassados foram tecendo e construindo para si.
  4. Meus interlocutores alegam ainda que têm consciência de que são igualmente descendentes detodas as matrizes étnicas que se ali se miscigenaram, se misturaram e se fundiram de tal forma a não deixar predominância específica de qualquer uma destas matrizes, mas juntas formam uma só teia sociocultural. Tal realidade histórica encontra ressonância na homogeneidade sociocultural há séculos e décadas estabelecida na região, o que faz deles ali no baixo Tapajós e no Arapiuns e seus afluentes uma população diferenciada de todas as outras demais no Brasil e que deseja ser respeitada como tal.
  5. E é esta população, e ninguém mais, muito menos qualquer antropólogo, que, olhando para sua história, constatando sua composição étnica miscigenada, se arroga o direito de se AUTO-IDENTIFICAR e de se apresentar para o Brasil e para o mundo como POPULAÇÃO TRADICIONALCABOCLA RIBEIRINHA TAPAJÔNICA, com seus costumes e tradições que fazem deles serem o que são!!!

tem mais… muito mais a ser dito na verdade. Além de todos os argumentos que compõem a estrutura afirmativa de sua identidade cabocla que positivamente sustentam, existe ainda toda uma bateria de denúncias que, mesmo temerariamente, tiveram a coragem de compartilhar comigo, outro antropólogo que conforme pensam, … são uma categoria profissional comprometida com a causa indígena e “especialistas em criar índios”.

Se fosse citar aqui todas as denúncias que coletei em campo, o artigo além de assustador seria quilométrico. Mas sintetizá-las é uma tarefa necessária para transmitir a gravidade dos eventos que transcorreram durante a primeira década do século XXI nas bacias do Tapajós e Arapiuns..

  1. Em determinado momento, ficou claro que o berço nascedouro deste movimento, ocorrera na verdade, lá na segunda metade da década de noventa, proveniente de um pequeno grupo de pessoas, simpatizantes ou militantes de ONGs ambientalistas que, preocupados com o avanço das fronteiras da soja e a expansão de madeireiras, traçaram estratégias, para defender a região com a criação de parques e reservas extrativistas. Como na região do oeste do Pará já tinha a FLONA do Tapajós e a RESEX do Tapajós.Arapiuns, a estratégia étnica pareceu-lhes a melhor opção.
  2. Em todas as comunidades visitadas, todos os meus interlocutores denunciaram que foram testemunhas e em alguns casos, vítimas de uma campanha sistemática de pregação etnicizante, baseada numa mensagem de retorno às raízes indígenas, regadas com impressionantes e convincentes promessas de melhorias e de benefícios para quem se passasse a se identificar, ou seja se filiasse ao programa e às propostas indígenas.
  3. À princípio houve uma verdadeira febre do movimento pois as estratégias eram inusitadas, animadoras e empolgantes, pois os membros do movimento além de prometer o resgate cultural, prometiam também projetos de toda natureza, chegando até a educação e saúde diferenciada. Conta-se que entre 2000 a 2004 até mesmo em barcos de linha que descem o do alto Arapiuns ou de Juriti para Santarém podia-se encontrar ongueiros “paulistas” ou estrangeiros, convidando passageiros a se tornarem indígenas em troca de benefícios estatais com perguntas como: “Mas porque você não quer ser índioVocê tem a cara de índio, aliás, tem tudo pra ser índio… é só olhar pra você?”
  4. Passado este momento de empolgação inicial com as propostas de benefícios prometidos, muitos dos meus interlocutores perceberam a manobra de engenharia social que queria apropriar-se dos elementos de sua história, de sua cultura e de sua identidade cabocla mestiça para transformá-las agora como provas inequívocas de indianidade: “Mas é claro que somos índios: nós moramos em casa de palha, comemos farinha de puba, tomamos chibé, dormimos na rede, pescamos com zagaiaetc…”
  5. Mesmo contando com outros colaboradores, esta campanha foi iniciada e conduzida sobretudo pelocomando do Frei franciscano Florêncio de Almeida Vaz que logo se tornou o ideólogo, a mente e o engenheiro social por trás do movimento e dos grupos etnicizantes diretamente ligados a ele que dentre outros conduziram durante toda a primeira década do século XXI as campanhas de conversão étnica apresentando promessas abstratas e irreais como a correção dos erros do rumo do país, bem como benefícios bem mais reais e concretos como Bolsa Família, bolsa maternidade, aposentadoria facilitada, cotas nas universidades, etc..etc..

Contudo, por causa dos cinco motivos apresentados no primeiro bloco, nem mesmo o esforço dos ongueiros, nem suas campanhas e nem as promessas arroladas acima, foram suficientes para que a grande parte dos habitantes e moradores da maioria das comunidades tradicionais do Tapajós e do Arapiuns aceitassem os incessantes convites para se “tornarem índios”. Foi aí que algumas estratégias obscuras entraram em campo.

  1. Existem no Arapiuns pessoas e indivíduos que por verem a divisão que este movimento etnogênico causou na região, por saberem que são vítimas desta estratégia, dão também corajosos testemunhos, alegando que membros do movimento lançaram mão de uma série de expedientes escusos para alcançar este fim e alguns deles ilegais, como coletar assinaturas em folhas sem cabeçalho, que depois se revelaram listas e solicitações para Terras Indígenas.
  2. Estes mesmos indivíduos que agora, reassumiram o controle de sua própria história, alegam também que para dar impressão de força e vigor, a liderança do movimento também lançou mão de uma contabilidade perversa e deturpada, para majorar o número de comunidades que teriam aderido ao movimento. Mesmo com a adesão de uma minoria da população comunitária, muitas comunidades passavam a ser contabilizadas como indígenas. Muitas delas, mesmo com 10, 12 famílias tinha somente uma família, ou apenas um único líder envolvido com o movimento, o que já era motivo suficiente para ser incuída na contabilidade do movimento como sendo indígena.
  3. Foi desta forma que o movimento indígena, promoveu então reivindicações ilegítimas solicitando a demarcação de terras indígenas dizendo-se representar toda uma população indígena, quando na verdade, tratava-se na grande maioria das comunidades de uma parcela minoritária da população, de uma minoria das comunidades regionais.
  4. Em determinado momento, quando esgotadas as promessas e a paciência dos etnicizantes, a postura deixava de ser positiva e passavam a promover o terrorismo psicológico à aqueles que não aderissem ao movimento indígena, deixando claro que, infelizmente, a terra indígena era.. como diz o nome, para os indígenas, e portanto, aqueles “não-indígenas” ou seja aqueles que ainda não haviam se convertido ao movimento, teriam que deixar as comunidades quando a terra passasse a ser indígena.
  5. Até mesmo nas principais comunidades ditas indígenas, o número de pessoas diretamente envolvidas com o movimento indígena, não passa de uma minoria decrescente daquela população, sendo que a maioria se vê amedrontada e aterrorizada pela ameaça de, em sendo vitoriosa a ação demarcadora do estado, serem obrigados a terem que deixar suas terras por se oporem, questionarem a identidade que lhes quer impor a liderança dessas comunidades.

Por todos estes motivos, por terem visto, ouvido e vivido tudo que viveram a grande maioria da população do Tapajós e do Arapiuns, mas certamente meus interlocutores:

  1. Não reconhecem como legítimas a alegada “identidade indígena” e se sentem no direito de fazerem por entenderem que eles, sendo a maioria da população cabocla da região, estão sendo duplamente prejudicados com ela: seja porque não ganham benefícios se não se dizem indígenas, seja porque podem perder muito do que têm por não o fazerem.
  2. Não conseguem acreditar na nobreza, na sinceridade e na veracidade do chamado “ressurgimento étnico”, alegando com uma lógica perfeita e uma boa fundamentação que boa parte dos empolgados com o movimento indígena lá está por causa dos benefícios, sobretudo as lideranças do movimento, que são os que mais ganham, seja financeiramente, seja com o renome, além de viagens para as capitais do estado e da Federação, para o Rio e São Paulo.
  3. Para o assombro de todos os meus interlocutores, toda esta armação teve não só a continuidade como também o apoio, suporte e conivência em todos os órgãos e instâncias governamentais, sejam nos estaduais e mesmo nos Federais, ao passo que eles, a maioria da população cabocla mestiça da região, não estava nem sendo ouvida, nem respeitada, nem respondida pelas autoridades governamentais.
  4. Todos os interlocutores em todas as comunidades visitadas consideram que, se esta armação continuar sendo levada adiante, estará sendo sacralizada uma injustiça para com eles é ainda maior porque todos creem que os membros das comunidades demandantes não só fizeram isso por benefícios estatais, mas como ao fazê-lo, prejudicam aqueles que foram sinceros e permaneceram fiéis à sua identidade cabocla mestiça ribeirinha tapajônica.
  5. Por fim concluem: Se o estado quiser respeitar seus direitos territoriais, que seja de outra forma que não impondo-os e fazendo-os aceitar uma identidade étnica que eles sabem e têm consciência de que não lhes pertence posto que juntos construíram uma outra identidade cabocla mestiça ribeirinha tapajônica.

Com tudo isto que meus interlocutores me transmitiram e fizeram questão de repetir e enfatizar, ao menos para mim, ficou muito claro que usar a estratégia etnicizante como escudo para a defesa de rios, lagos e territórios é de uma violência étnica sem tamanho.

Querer estabelecer fronteiras étnicas fictícias, fissuras num tecido social homogêneo à título de conservar e preservar um determinado território contra o avanço de práticas econômicas, é uma violência contra a história e a sociedade daquela região.

Havendo uma dívida pelos sofrimentos e humilhações à que foram submetidos os povos indígenas da época do contato, é a estes caboclos mestiços que ela deve ser paga. Atrelar a concessão de benefícios estatais à assunção de uma determinada identidade étnica é e sempre será outro erro administrativo complicado quando se trata de uma população mestiça. Fazer isto em nome de uma dívida histórica é de uma perversidade ainda maior, porque mais exclui do que inclui, mais separa do que une, mais divide do que unifica.

Os descendentes dos indígenas escravizados, violentados, trazidos à força nos descimentos e lá catequizados e são exatamente os caboclos mestiços de hoje que hoje olham para si e não se reconhecem como indígenas, porque a matriz indígena fundiu-se com as demais. Descendem também dos portugueses e dos negros, mas não se identificam com nenhum desses grupos específicos, pois sabem que surgiu dali uma nova sociedade que dali nascia: a sociedade cabocla mestiça ribeirinha amazônica.

Foram e ainda são estes mestiços que continuam tratando suas feridas, curando suas chagas e, por motivos inexplicáveis casando-se com os netos e bisnetos dos seus algozes, e juntos construíram esta nova sociedade mestiça que unida caminha para a construção de seu futuro.

Não preciso citar nenhum pai fundador, nenhum papa ou astro da corrente antropológica fulgurante do momento para legitimar ou fundamentar estes argumentos. Mas se fizerem tanta questão que eu cite algum autor autoritativo, eu darei o nome destes que agora são autores da reconstrução de sua própria identidade cabocla mestiça tapajônica.

São pessoas como Graciano e Saturnina MartinhoBasílio Matos dos Santos, Malaquias Guimarães, Dona MargareteAldo C. Ferreira, Alfredo Cardoso Ferreira, Maria Adair Costa, Henrique Ferreira, Maria Mercedes Cardoso, Dona Zuleide e Rosalina Imbiriba dos Anjos, e Ronsilson CostaDna Estelevita Costa NunesLúcio dos Santos Cardoso e Isabel Cordeiro Cardoso dentre muitos, muitos outros que poderia seguir citando aqui. Testemunhos e entrevistas das pessoas com nomes em negrito serão postados no meu blog: www.edwarluz.wordpress.com

Leandro Mahalem escreve seu texto para se justificar e salvar a honra e o trabalho de uma antropologia cada vez mais submissa a um projeto conservacionista que, neste caso do baixo Tapajós e Arapiuns, paga em US$ um Anthropological Blues enviesado. Assim como ele, muitos outros virão em socorro desta linha de atuação para salvar a legitimidade e a autoridade deste grupo que abusa do prestígio e do respeito da disciplina perante a sociedade e o estado brasileiro, muito embora desprezem o legado de seus pais fundadores em território nacional. Ele escreve para a academia, recebendo dela seu louvor e reconhecimento.

Eu, Edward Luz, em meu dever de antropólogo social, escrevo em nome destas que acabei de identificar pelo nome além de muitos outros comunitários, dos quais, espero ter sido apenas um bom interprete e mais ainda um alto-falante a repercutir a mensagem destas vozes pelo Brasil afora.

Escrevo em nome de uma pequena parcela da sociedade amazônica que tenta há anos informar nosso estado e nossa sociedade e seus representantes eleitos no Congresso Nacional de que existem coisas estranhas, erradas e questionáveis acontecendo em nossos processos de identificação e demarcação de terras indígenas.

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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2 respostas para Uma resposta lógica e factual ao raciocínio distorcido e infundado do ONGueiro militante engajado Leandro Mahalem.

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