Expulsão de produtores rurais da extinta Fazenda Suiá-Missu é destaque no O Estado de São Paulo

O jornal O Estado de S.Paulo deu destaque à expulsão dos produtores rurais da antiga Fazenda Suiá-Missu. Em matéria publicada hoje sob o título Disputa fundiária cria “vila fantasma”.

Imagens dos incêndios que calcinaram a Terra Indígena Marãiwatsédé
demarcada pela Funai sobre a área da Suiá-Missu

De acordo com a matéria o governo demoliu 619 construções onde moravam 1,5 mil pessoas. Ainda de acordo com o texto, uma disputa entre índios xavante e 235 produtores, em sua maioria pequenos agricultores, por uma área de 165 mil hectares ao longo da BR-158 deixou como saldo uma vila fantasma onde moravam 1,5 mil pessoas.

A matéria parece ter sido instruída pelo Governo e pela Funai uma vez que os números usados no texto são os mesmos usados pelo Governo para reduzir o impacto do ato do Governo. O texto não faz qualquer referência aos incêndios que calcinaram mais de 100 mil (dos 165 mil) hectares da área.

Veja cobertura dos incêndios: Fogo na Suiá-Missu: Veja última imagem de satélite disponível da área e a evolução dos incêndios

O texto trás uma informação nova: o traçado da BR-158, rodovia federal que corta a terra indígena, será alterado. Isso, segundo o governo estadual, agregará um custo de R$ 80 milhões ao asfaltamento da rodovia, vital para a conexão do Araguaia com Mato Grosso e o escoamento da produção agropecuária pelos portos do Norte. O desvio, estimado em 60 km, exigiria mais pontes e esforços da engenharia. Outras duas BRs (080 e 242), na fila para pavimentação, são alvos de protestos dos índios e, ao que parece, estarão no centro de novas disputas fundiárias.

Depois de ter expulsado os produtores rurais, a Funai abandonou os índios xavante sem assistência o que os tem levado a bloquear as BR para exigir o pagamento de pedágio ilegais dos motoristas e passageiros.

A imagem das casas destruídas ainda mexe com os produtores e ex moradores da área. O distrito de Estrela do Araguaia, conhecido como Posto da Mata, núcleo urbano à beira da estrada, foi colocado abaixo após a expulsão das pessoas. O entulho já está cercado pelo mato alto, mas é possível ver televisores, fogões, berços infantis e bicicletas deixadas para trás pelos antigos moradores.

Homologada por decreto presidencial em 1998, a reserva abrange São Félix do Araguaia, Alto Boa Vista e de Bom Jesus do Araguaia. Havia 619 construções no local. Todas foram demolidas. Só sobraram as duas igrejas, uma católica, outra evangélica. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) cadastrou 235 famílias que seriam transferidas a assentamentos em Alto Boa Vista e Ribeirão Cascalheira.

O governo federal prometeu dar assistência técnica e até R$ 3,2 mil para aquisição de alimentos e implementos, além de R$ 25 mil para material de construção. Até hoje a maioria não recebeu nada.

Os 235 produtores aos quais a matéria do Estadão faz referência são apenas os que tinham perfil de reforma agrária. A grande maioria não tinha esse perfil. O número de produtores e não índios expulsos da área é muito maior. A maioria continua perambulando pelos municípios do entorno da terra indígena.

Semanas atrás, numa audiência pública na Câmara dos Deputados, o ouvidor nacional de direitos humanos, subordinado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, reconheceu publicamente que o Governo violou direitos humanos das pessoas que foram expulsas da área.

Veja aqui a confissão do ouvidor:

– Veja mais no site : http://www.questaoindigena.org/2013/09/expulsao-de-produtores-rurais-da-antiga.html#more

Anúncios

Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
Esse post foi publicado em Sem categoria e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s