O dilema dos “enegrecedores” do povo mestiço. Por Leão Alves

Refletindo sobre as estranhas consequências das políticas raciais do governo petista, Leão Alves expõe O dilema dos “enegrecedores” do povo mestiço.

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Os defensores do enegrecimento oficial do povo mestiço estão com um dilema: se eles, para manter o mito de um Brasil de maioria negra, continuarem a defender que todos os pardos e todos os afrodescendentes são negros, então terão que estender benefícios como cotas raciais a todos eles, sem o controle e o crivo sobre as opiniões pessoais que estes pardos e afrodescendentes têm sobre si mesmos – o que por motivos políticos e ideológicos não desejam: não basta para eles que alguém seja legalmente negro, é preciso que seja um reprodutor da ideologia do enegrecimento do pardo; se considerarem negros somente os pretos e pardos que se autodeclararem negros, então terão que aceitar a existência do pardo e do afrodescendente não negro e, por consequência, do povo mestiço – o que também não desejam.

O episódio do estudante com aparência de branco que se autodeclarou afrodescendente no concurso para diplomata do Instituto Rio Branco é mais um exemplo de que os discursos radicais e enraivecidos que buscam constranger os mulatos, os pardos e outros mestiços a se identificarem como negros, frequentemente por meio da propagação de ofensas e agressões a palavras e expressões que indiquem mestiçagem, não são tão radicais na inclusão dos pardos e dos afrodescendentes de aparência branca nos benefícios legais criados para negros.

Edital do Instituto Rio Branco exige que o candidato seja ”afrodescendente (negro), condição a ser expressa por meio de autodeclaração“, fazendo referência ao Estatuto da Igualdade Racial. Este estatuto petista dispensa que o candidato se afirme negro. Sendo assim, o óbvio é concluir que não cabe exigir do candidato que ele afirme ser negro – o Estatuto faz isso por ele, da mesma forma que o governo petista e movimentos negros que apoiam sua política racial fazem.

Mas, mesmo assim, o afrodescendente que se identifica como negro pode ficar exposto a uma punição. Os afrodescendentes que não se identificam como negros já são punidos pela marginalização oficial, pela exclusão de políticas públicas, pelo apagamento de sua existência de documentos oficiais, pelo silêncio da grande mídia atrelada ao racismo petista. Mas mesmo o afrodescendente que concorda em ser negro nos termos petistas – seja por se identificar realmente, seja por não estar disposto a nadar contra a maré racista como nós -, fica exposto a ser “desmascarado” como um espertalhão que quer se beneficiar das cotas dos negros. Assim, os pardos e afrodescendentes de aparência branca são automaticamente somados aos negros nas estatísticas, sem qualquer outra exigência, mas são expostos a obstáculos e constrangimentos quando buscam algum benefício associado a negro.

E que tal cotas específicas para pardos e afrodescendentes com aparência branca? Isto é o pesadelo deles. O enegrecimento oficial dos mestiços brasileiros pelo petismo é similar em objetivo à indianização dos mestiços bolivianos pelos masismo. Se ações afirmativas não cumprirem este objetivos, ou pior (para eles), se servirem para fortalecer a mestiçagem, serão abandonadas pelos racistas e suas ONGs financiadoras.

O enegrecimento oficial dos pardos tem ainda outro objetivo: eliminar um povo nativo que não é índio. Negros não possuem direito originário à terra, pois não são nativos da América; índios e mestiços possuem. A resistência do nativo mestiço é, assim, uma reação ao novo colonialismo cultural e ao racismo que vem sendo propagado a partir de academias branco-indigenistas de antropologia e bancado a partir de antigas metrópoles européias e dos EUA.

Em nossa experiência no enfrentamento dessas políticas de eliminação do povos mestiço (pois é este o objetivo central de todas estas políticas raciais e étnicas apoiadas pelo petismo: das políticas de cotas raciais para negros às políticas branco-indigenistas que criam bantustões federais e promovem limpeza étnica dos nativos mestiços) observamos que estes grupos preferem abrir mão de cotas para negros a aceitarem cotas também para mestiços ou para pardos separadas de cotas para pretos.

Por quê? Porque o objetivo dessas políticas não são compensações por violências do passado ou corrigir injustiças presentes, mas simplesmente dividir o povo, dividir o poder, enfraquecer a Nação, promover a globalização do poder, e a mestiçagem é um obstáculo para isso.

Por que isso não tem sido divulgado tanto quanto deveria? Por que há grupos que são contra cotas para negros, mas não são contra a eliminação do povo mestiço e também apoiam o globalismo. Há entreguistas de diversos naipes.

Leão Alves é secretário geral do Nação Mestiça.

 É autorizada a reprodução e publicação de textos deste site desde que citada a fonte. Mestiçofobia é racismo / Mestizofobia es racismo. Divulgue este site.

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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