Índios protestam contra PEC 215 na região do Ibirapuera

Eles se concentraram em frente ao Masp e bloquearam Avenida Paulista. Manifestações de populações indígenas são realizadas em todo o país.

Pichador depreda o Monumento às Bandeiras (Foto: Fábio Vieira/Fotoarena/Estadão Conteúdo)

Centenas de índios protestaram em São Paulo na última quarta-feira (2/10) contra projeto que pode mudar a demarcação de terras indígenas no país. Após bloquear a Avenida Paulista por cerca de uma hora e 30 minutos, o grupo desceu a Avenida Brigadeiro Luís Antônio rumo ao Ibirapuera. Os índios deixaram a região por volta das 21h30, encerrando o protesto.

Pichado na noite de terça, Monumento às Bandeiras volta a ser alvo de protesto contra PEC (Foto: Marcelo Mora/G1)

A manifestação, que reuniu cerca de 800 pessoas, segundo a Polícia Militar, foi contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que tira do governo federal a autonomia na demarcações de terras. Outro ato foi realizado em Brasília, em frente ao Congresso Nacional.

Em São Paulo, os manifestantes se reuniram inicialmente no vão livre do Masp, às 17h. Depois, saíram em caminhada e bloquearam a pista que segue para a Consolação. Em seguida, voltaram pelo sentido Paraíso. Eles desceram a Avenida Brigadeiro Luís Antônio, fechando totalmente a via, e, por volta das 20h40, chegaram ao Monumento às Bandeiras.

Manifestantes jogaram tinta vermelha e picharam a escultura em frente ao Parque Ibirapuera. A obra do escultor ítalo-brasileiro Victor Brecheret já havia sido pichada em um protesto na noite desta terça-feira (1º) contra a mesma PEC 215. Na base da escultura foi escrita da frase: “bandeirantes assassinos”, além de uma citação ao nome do projeto.

Pichado na noite de terça, Monumento às Bandeiras volta a ser alvo de protesto contra PEC (Foto: Marcelo Mora/G1)

O Monumento às Bandeiras, na região do Parque Ibirapuera, Zona Sul de São Paulo, foi pichado na noite de terça-feira (1º) em protesto contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215. A obra do escultor ítalo-brasileiro Victor Brecheret virou alvo do protesto contra o projeto que altera as regras para demarcações de terras indígenas.

Tumulto e detido

Por volta das 18h10, houve um princípio de tumulto na esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta. Policiais prenderam um manifestante que resistiu à prisão após uma abordagem. Na mochila dele, foram encontrados quatro latas de spray, segundo a PM. Ele foi encaminhado ao 78º distrito de polícia, nos Jardins. Houve correria. Um grupo cercou o carro da PM para evitar a prisão.

Os índios seguiram o protesto, sem se envolver com a confusão. O detido foi colocado no carro da PM sob os gritos de “solta, solta” e levado para a delegacia.

De acordo com os manifestantes, o objetivo é protestar contra o que vêem como ataque aos direitos territoriais dessas populações. O ato é contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que tramita na Câmara dos Deputados. O texto é alvo de críticas dos índios e organizações não-governamentais porque retira do governo federal a autonomia para demarcar terras indígenas, de quilombolas e zonas de conservação ambiental.

Pelo texto, caberá ao Congresso Nacional aprovar proposta de demarcação enviada pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Atualmente, o Ministério da Justiça edita decretos de demarcação a partir de estudos feitos pela Funai.

Na semana passada, índios bloquearam por cerca de uma hora a Rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo, contra a PEC. Em uma das faixas carregadas pelo grupo estava escrito “Guarani resiste – Demarcação já!”. Os indígenas ameaçaram com arcos e flechas os motociclistas que tentaram furar o bloqueio. Apesar da tensão, não houve confrontos.

 Monumento às Bandeiras, do escultor ítalo-brasileiro Victor Brecheret, que fica na região do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, foi pichado com frases contra a proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/00, que transfere para o Legislativo a palavra  (Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo)
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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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