Índios ameaçam protestar durante Copa de 2014.

As diversas manifestações dos índios brasileiros para garantir seu direito à terra e as iniciativas de políticos do Congresso para intervir na demarcação do território das tribos ganharam destaque na edição do jornal Le Monde que circulou no início de outubro de 2013.

Membros da tribo Terena celebram no Mato Grosso do Sul reintegração de terra que pertencia a filho do ex-governador do estado, no dia 04 de outubro de 2013.

Membros da tribo Terena celebram no Mato Grosso do Sul reintegração de terra que pertencia a filho do ex-governador do estado, no dia 04 de outubro de 2013.

REUTERS/Lunae Parracho

 Os protestos, lembra o vespertino, aconteceram durante toda a semana e têm como ponto alto este sábado, dia em que a Constituição brasileira de 1988 comemora 25 anos.

O jornal francês relata as manifestações dos índios em frente ao Congresso, em Brasília, o bloqueio de rodovias e prédios ocupados em diversas regiões do país para defender seus direitos. A semana de mobilização, escreve o Le Monde, resultou em diversos feridos e confrontos antes mesmo da grande manifestação prevista neste sábado, 5 de outubro.

Organizadores dos protestos afirmam que o texto da Constituição, considerado um dos mais generosos em relação à demarcação de terras indígenas, corre um sério risco diante da ofensiva do setor agroalimentar e das indústrias mineradoras, apoiados pela classe política.

Le Monde destaca a declaração do cacique Raoni, bastante conhecido mundialmente pela sua oposição à construção da barragem de Belo Monte, de que os índios foram à Brasília negociar com o governo diante do sofrimento e das ameaças que pesam sobre os territórios indígenas.

Segundo o jornal, os índios do Brasil enfrentam uma ofensiva para reduzir seus direitos constitucionais e os conflitos deles com os latifundiários têm aumentado. Centenas de processos de delimitação das terras estão em curso e paralisam o processo de demarcação de 90% das terras indígenas, afirma o jornal francês. Mais de 70 projetos de lei sobre exploração de recursos naturais por populações autóctones estão em discussão em Brasília, afirma o Le Monde.

Outro problema enfrentado pelos índios, relata o jornal, é a ofensiva política dos parlamentares brasileiros de transferir do poder executivo para o legislativo a responsabilidade de demarcar territórios indígenas através das PECs 215 e 38.

Le Monde lembra também o apoio de dois colaboradores próximos da presidente Dilma Rousseff, o ministro da Justiça Gilberto Carvalho e a ministra da Casa Civil Gleisi Hoffman a textos que defendem a possibilidade da implantação de empresas dentro de territórios indígenas.

Segundo o jornal, o governo de Dilma exibe a mais baixa taxa de demarcação de terras indígenas desde a presidência de José Sarney (1985-1990). A reportagem também destaca declarações de Ongs de que o governo tem sido refém do crescimento econômico e de sua base de apoio política que é corrupta e conservadora.

O jornal questiona se a mobilização já não está dando bons resultados diante da nota enviada pelo ministério da Justiça à Câmara dos Deputados lembrando que a emenda da PEC 215 é inconstitucional e que a presidente já orientou sua base a votar contra a medida.

Le Monde conclui a reportagem dizendo que os responsáveis do movimento indígena prevêm “repercussões” durante a Copa do Mundo e não vão esperar as eleições presidenciais de outubro

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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Uma resposta para Índios ameaçam protestar durante Copa de 2014.

  1. Concordo em todo o conteúdo e principalmente com a postura de Edward M. Luz. Tive o prazer de o conhecer pessoalmente e sei da seriedade, responsabilidade e compromisso com a verdade e o bem comum que ele expressa em suas palavras e atitudes.
    O Brasil precisa acordar também para estes assuntos e ajudar a estes que sofrem tanto…

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