Novos estilos e looks urbanos ganham espaço entre os povos indígenas do Tocantins

Libertos do peso de suas tradições culturais indígenas também dialogam com a cultura nacional envolvente e renovam estilos mais urbano que ganha espaço entre os povos do Tocantins.

Davi Avá-Canoeiro mostra estilo nos cabelos na Festa da Independência dos Povos Indígenas (Foto: Elisangela Farias/G1)Davi Avá-Canoeiro mostra estilo nos cabelos na Festa da Independência dos Povos Indígenas
(Foto: Elisangela Farias/G1)

Quando o assunto é festa, todo mundo quer ir com a melhor roupa, com o cabelo arrumado. Na aldeia Txuiri, próximo a Formoso do Araguaia, na Ilha do Bananal, não é diferente. A Festa da Independência dos Povos Indígenas reuniu estilos variados. Crianças, jovens, adultos e idosos mostraram que existe moda em todos os lugares.

Laércio Xerente usou chuteiras coloridas nos jogos de futebol na Ilha do Bananal (Foto: Elisangela Farias/G1)
Laércio Xerente usou suas novas chuteiras coloridas nos jogos de futebol na Ilha do Bananal
(Foto: Elisangela Farias/G1)

Nada de cocar, brincos, colares ou pulseiras indígenas. Cabelos coloridos, com cortes que fazem sucesso entre os famosos brasileiros. Até para jogar futebol, o estilo chama a atenção. “Hoje poucos indígenas jogam descalços. Estamos desenvolvendo e acompanhamos os jogadores profissionais, hoje temos ídolos jogadores”, conta Laércio Xerente, de 23 anos, da minha querida e preferia aldeia Porteira, de Tocantínia, que, no campo, entrou com chuteiras coloridas.

Com cabelos vermelhos e bem lisos, Davi Avá-Canoeiro, de 30 anos, é direto ao dizer o porquê dos cabelos coloridos. “Não estou imitando ninguém, deu na telha pintar e passei tinta”, explica, dizendo que joga futebol desde os sete anos e que não tem ídolos. David Hatory Karajá, de 15 anos, caprichou também no visual para prestigiar a festa. Durante a sexta-feira (6), ele se revezou entre corrida e futebol e segundo ele, ainda é dançarino.

Conscientização
Esporte aliado a estilo e cultura. Tudo é permitido quando o assunto é integrar e mostrar aos jovens, que é possível sair da ociosidade e tentar dias melhores. Com esse propósito, Kanari Javaé, de 29 anos, ex-jogador profissional de futebol, há dois anos desenvolve um projeto na Academia Canoanã de Futebol, com crianças e adolescentes, com o objetivo de diminuir o número de suicídios na Ilha do Bananal, que este ano, chega a cerca de 10. Só no time, já foram três.

Davi Karajá foi à festa com cabelo amarelo e com corte moderno (Foto: Elisangela Farias/G1)Davi Karajá foi à festa com cabelo amarelo e com
corte moderno (Foto: Elisangela Farias/G1)

É uma forma de ocupar as crianças. Educação e inclusão social estão dando certo, porque não dar certo aqui nas aldeias?”, questiona, acrescentando: “Não quero que todos sejam jogadores, mas uma pessoa com formação e que possa contribuir com a aldeia.”

Tímidos, jogadores, atletas, cheios de estilo e na moda. Assim os povos karajá, javaé, xerente, karajá xambioá, ava-canoeiro e tapirapê (MT) confraternizaram e mostraram, que no dia da Independência do Brasil o importante é a comunhão, a inovação e renovação cultural. “Estamos cobrando dos governos respaldo para a comunidade indígena”, enfatizou Ivan Xerente, da aldeia Mirassol, em Tocantínia.

Anúncios

Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
Esse post foi publicado em Sem categoria e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s