Marshal Sahlins e o pensamento antropológico domesticado à esquerda…

O verdadeiro pensamento selvagem é o do capitalismo contemporâneo?

MARSHALL SAHLINS – Não no sentido estrito do termo. Mais exatamente, o capitalismo contemporâneo implica uma mesma lógica cultural do concreto sob a forma de valores de uso, que, uma vez fetichizados como preços e colocados em ação para fins lucrativos, fazem inegavelmente o efeito de um pensamento selvagem incontrolado. Por mais que nossa racionalidade pecuniária o tenha ocultado, se ergue sobre todo um sistema de valores culturais motivados que associam sujeitos e objetos, logo, preferências e produtos, em razão de suas características distintivas.

É claro que essa realidade passa despercebida aos olhos dos “sujeitos burgueses” -que geralmente vivem seus valores culturais como um hábito, sem prestar atenção a ele- e dos economistas, que, tendo definido seu domínio como uma racionalidade prudente, enquadram as formas culturais nos limbos dos fatores “exógenos” ou mesmo “irracionais”.

Não nos damos conta de que nossas escolhas racionais -por exemplo, não serviremos hambúrgueres a convidados que respeitamos- são baseadas num código de valores que não guarda relação nenhuma com o caráter nutritivo e que tem tudo a ver com a significação respectiva dos órgãos e dos músculos, da carne e dos cortes, do cortado e do moído, dos pratos e dos sanduíches etc.

Da mesma maneira, não são as qualidades concretas das roupas que explicam a diferença de estilo de vestimenta que manifesta a distinção social em vigor entre homens e mulheres em situações de trabalho e de lazer, entre empresários e policiais, bailes de debutantes e boates: basta pensar em todos os significados veiculados por uma peça de vestuário, como [Roland] Barthes nos ensinou.

Vivemos hoje em um mundo que se encanta com objetos semioticamente construídos e culturalmente relativos, como o ouro, a seda, as cepas de pinot noir, o petróleo, o filé mignon, os tomates “primeira colheita” e a água pura de Fiji.

Assistimos a uma construção da natureza por meio de esquemas culturais historicamente determinados, mas cujas qualidades simbólicas são transformadas em qualidades pecuniárias, cujas fontes sociais são atribuídas a desejos individuais e cuja satisfação arbitrária é travestida em escolha universalmente racional.

Mas, como é impelido à competição pelo interesse financeiro, esse encantamento produz uma infinidade de objetos, enquanto ainda for possível metamorfosear as distinções sociais dos sujeitos e dos objetos em mercadorias rentáveis.

Fonte: http://cordelcaicara.zip.net/arch2007-11-25_2007-12-01.html

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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