Nota de Repúdio ao processo de limpeza étnica no Maranhão.

Prezados Leão e Helderli, Coordenadores do Nação Mestiça.

outra vez, é com o mesmo espírito de solidariedade que move este movimento étnico e também, representativo da população mestiça do Maranhão e do Brasil todo, que venho novamente expressar meu veemente repúdio à política racial e étnica discriminatória contra a população mestiça e contra a prática humana, legal e louvável da miscigenação. Entendo que é a continuidade e o arrefecimento desta política discriminatória é vai agora gerar outra vez, uma verdadeira prática de limpeza étnica e de apartheid nos municípios de Centro Novo do Maranhão, Governador Newton Bello, São João do Caru e Zé Doca, por conta da política racial segregacionista do Governo Federal, comandado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), e que se dá em especial através da Fundação Nacional do Índio (FUNAI).

Reconhecendo o direito originário do povo mestiço sobre o território que habita entendo que a melhor solução para este conflito fundiário não seria a expulsão dessa população que lá habita à tantas décadas e das quais agora estão sendo expulsos. Entendo que deveria ser respeitado o direito à permanência na terra de seus ancestrais igualmente nativos, e igualmente miscigenados e a decisão de lutar por todas as formas legítimas pelo seu retorno ao mesmo.

Entendo que tal situação e estado conflituoso só se consolida por causa da opção do Governo Federal em atender demandas específicas e condenáveis de organizações Não-Governamentais, que usam e manipulam minorias étnicas para jogá-las contra a maioria da população mestiça na região.

Endosso vosso destaque ao fato de que o povo mestiço habita o Estado do Maranhão – e descende dos índios que habitaram o Estado e que com o contato com as levas de colonos europeus miscigenaram-se ao longo do processo de colonização da região da qual estão sendo expulsos agora. Entendo que estas populações tradicionais habitavam esta região muito, muito antes da imigração do povo Awá-Gaujá que vieram migrando de outras regiões do estado do Pará. E é esta compreensão que me faz condenar a ação do Governo Federal pretende criar mais um território de exclusão racial. Entendo que esta não é, nem será a melhor forma de promover a construção de uma sociedade regional e nacional pautada pelo respeito, cooperação e colaboração mútuas. Entendo e alerto a sociedade brasileira para o fato de que tal intervenção estatal só irá criar marcas e feridas sociais que durarão décadas para serem sanadas.

Os manifestos desta corajosa entidade representativa que sabiamente invoca e conclama a retomada do projeto conjunto e uno para a criação de uma Nação Mestiça são uma das vozes mais mais eloquentes e corajosos, ainda que desvalorizados e silenciados avisos sobre o perigo e dos conflitos étnicos e os erros do uso político de minorias étnicas na condução da prática da etnicização que já tomou conta do cenário político nacional pelo mais completo descontrole das forças simbólicas envolvidas.

Lamento e condeno esta mudança de rumos na condução da política étnica, indigenista e racial no Brasil, que trocou o caminho da livre construção da unidade nacional pela via da convivência pacífica e miscigenada, abdicando-o em favor da adoção de uma política de segregação étnico racial, promovida pela ação estatal alienante, violenta e artificial que não se sustenta historicamente. A democracia brasileira e a consciência cidadã do povo brasileiro deveriam ser as bases da construção de uma convivência pacífica entre os povos, não a ação estatal violenta e segregacionista entre eles.

Minha solidariedade e apoio às populações mestiças do Maranhão, ao Movimento Nação Mestiça e a sua proposta de retomada da caminhada rumo à igualdade, à fraternidade e à liberdade nacional pela progressiva superação das fronteiras étnicas e raciais que separam a humanidade e agora o povo brasileiro!

Reafirmo convosco a certeza da vitória da miscigenação, da união entre os povos, pela via do amor, do respeito e da liberdade individual, sobre toda forma de racismo em todas as suas formas e da vitória deste projeto de Nação brasileira sobre todas as forças e interesses que pretendam dividi-la.

A história julgará nossos atos, e um dia verão e compreenderão nossa razão quando alertamos o Brasil para o perigo da eminente etnicização e da segregação racial do país!
Um aviso para a confraria dos manipuladores irresponsáveis das categorias de entendimento: Vosso tempo já está perto do fim. Não nos calaremos, nem esqueceremos, não nos cansaremos, nem daremos descanso aos que, ao invés do respeito e do amor interacial, dedicam-se a pregar e propagar as sementes da separação, do ódio segregação e da superioridade étnica e racial no seio desta Nação Mestiça.

Edward M. Luz. Antropólogo Livre. Ex-sócio da ABA.

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
Esse post foi publicado em Antropologia submissa, Aparato Indigenista/ambientalista, CIMI & demais Conselhos Indígenas, Crise do indigenismo Atual, Etnicização do Brasil, Indigenismo brasileiro, Política Indigenista, Políticas Indigenistas Inovadoras e marcado , , , . Guardar link permanente.

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