Prisão de Babau pode acirrar conflito entre indígenas e produtores no Mato Grosso do Sul.

Reportagem de André de Souza

<br />O cacique Babau Tupinambá no Congresso Nacional<br />
Foto: Ailton de Freitas / Agência O Globo

Prisão de Babau revela links e conexões do Aparado Indigenista Nacional espraiado e conectado em todo Brasil

O cacique Babau Tupinambá no Congresso Nacional.

Foto de Ailton de Freitas / Agência O Globo

BRASÍLIA – A prisão do cacique Babau, acusado de ter participado do assassinato de um agricultor no sul da Bahia, é o mais recente episódio da briga entre produtores rurais e lideranças indígenas. Em nota publicada há quatro dias, lideranças indígenas do Mato Grosso do Sul disseram que abandonariam a mesa de negociação para pôr fim aos conflitos com produtores rurais de seu estado, caso o índio baiano não seja libertado até esta segunda-feira. Em resposta, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou outra nota hoje, defendendo a prisão e repudiando a posição das lideranças indígenas. Segundo a CNA, os índios do Mato Grosso do Sul estão fazendo ameaças com práticas terroristas.

A nota da CNA é assinada pela presidente da entidade, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO). Ela afirma que “assiste, com apreensão, às recentes ameaças ao Estado de direito”. Segundo a senadora, as lideranças indígenas estão ignorando a lei, os valores democráticos e incitando a violência. “Essas entidades não podem ameaçar a sociedade brasileira com práticas terroristas, impondo prazo para que o Poder Judiciário revogue uma decisão prevista no ordenamento jurídico para qualquer investigado”, afirma a nota da CNA.

A senadora faz referência à outra nota, assinada por lideranças de quatro povos indígenas do Mato Grosso do Sul: guarani kaiowá, terena, kinikinau e ofaié. “Nós lideranças indígenas de Mato Grosso do Sul exigimos: libertem o Cacique Babau do povo Tupinambá! Caso contrário, iremos iniciar a retomada de nossos territórios tradicionais e abandonaremos a mesa de negociação do governo federal!”, diz o primeiro parágrafo da nota dos índios. “Cacique Babau, nós estamos com você, vamos até o fim!”, diz o texto mais à frente.

Babau se entregou à Polícia Federal (PF) na última quinta-feira, um dia depois de ser impedido de viajar ao Vaticano, onde se encontraria com o papa Francisco, a convite da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Como havia um mandado de prisão contra ele, acabou tendo o passaporte suspenso pela PF.

“Esta atitude da Polícia Federal escandaliza mais uma vez as articulações política inescrupulosa do governo brasileiro, em não querer que a situação dos povos indígenas do Brasil seja denunciada internacionalmente. Cacique Babau é referência da luta dos povos indígenas do Brasil e nosso companheiro de luta. Não aceitaremos essa sistemática criminalização de nossas lideranças que lutam pela recuperação dos nossos territórios tradicionais”, diz a nota das lideranças indígenas sul-mato-grossenses.

A CNA refuta os argumentos dos índios. “É fundamental salientar que os motivos da prisão não guardam qualquer relação com causas indígenas, como o pleito por saúde ou pela melhoria das condições de vida dos brasileiros índios. O crime investigado é a participação do suspeito no cruel assassinato, com características de execução por grupo de extermínio, de Juracy dos Santos Santana, um pequeno agricultor familiar do sul da Bahia que chegou a pedir, em vão, proteção ao Ministério da Justiça”, informa a senadora Kátia Abreu.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/prisao-de-cacique-acirra-briga-entre-ruralistas-indigenas-no-mato-grosso-do-sul-12323874#ixzz30FDIbGw2

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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