Líder indígena Danilo Terena reconhece fracasso da proposta indigenista brasileira e desabafa “instabilidade no campo é total”.

Importante líder indígena do MS, Danilo Terena e cobra ação da FUNAI mas reconhece que fracasso da proposta indigenista brasileira e desabafa: “instabilidade no campo é total” .

Líder indígena Danilo Terena

Danilo Terena discursa na Audiência Pública em Campo Grande e afirma: instabilidade no campo é total.

Depois dos protestos do setor produtivo rural contra os abusos cometidos pela Fundação Nacional do Índio (Funai), que insiste em continuar emitindo questionáveis laudos antropológicos para justificar novas demarcações de terras indígenas, agora são os próprios indígenas que reclamam publicamente da ineficiência da entidade. Foi o que fez o presidente da Associação Estadual dos Direitos Indígenas (MS), Danilo Terena, em depoimento à Comissão Especial da Câmara dos Deputados, encarregada de analisar Proposta de Emenda Constitucional (PEC 215), que visa a dar mais transparência aos processos de demarcação de terras indígenas.

 A Comissão Especial, que vem realizando uma série de audiências públicas nos estados onde há conflitos agrários, esteve no Mato Grosso do Sul na última sexta-feira (9/05). Nenhum representante da Funai compareceu à conferência que lotou o plenário da Assembleia Legislativa, onde o índio Danilo, da etnia Terena, afirmou que “a instabilidade no campo é total”, e defendeu a posição de diálogo democrático, mediado pelo parlamento, que é basicamente a proposta central da PEC 215.

Em seguida, reafirmou que, se há algo que todos buscam – “tanto nós indígenas como os produtores” – é a paz. Como todos sabemos e Danilo concorda, esta só será alcançada pelo diálogo. E reclamou que os índios têm passado fome, e aproveitou para criticar a atuação da Funai. “Vem a Funai com todo aquele aparato que não deveria ser discutido, que é a criação de grupo de trabalho para saber se a terra é indígena ou não. A Funai tem usado esse subterfugio para arrecadar recursos, fazendo parcerias com ONGs”, denunciou Danilo Terena.

O próprio governo contabiliza 11 mil índios que vivem da agricultura, como os Terena. Segundo Danilo Terena, todos passam privações.  “O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou em erradicar a fome quando assumiu, mas digo para vocês que, nas comunidades indígenas, se come mandioca e farinha no almoço”, destacou, concluindo que, como só ingerem amido, o índice de diabete entre os indígenas é cada vez mais alto.

Foi então que cobrou uma intervenção das autoridades competentes: “Infelizmente, eu critico a Funai porque até hoje não houve, em nenhum momento por parte das instituições, vontade política para se estabelecer um programa específico na agricultura”.

Em seu depoimento, Danilo relatou que os índios olham para o lado e veem os agricultores produzindo e prosperando, enquanto eles, sem o apoio da Funai, não conseguem produzir e passam dificuldades. Se houvesse o apoio reclamado e os indígenas conseguissem produzir bem, em suas áreas, certamente não haveria conflitos tão agudos.

Após destacar que seu povo não tem dinheiro para comprar carne nem para vestir seus filhos, Danilo justificou as invasões de terras como “os únicos subterfúgios que os índios têm de chamar atenção do governo”, e protestou: “O que tem acontecido é lamentável e não podemos ficar parados. Nós estamos nos matando. É preciso que haja uma intervenção do Estado de forma eficaz, para que venhamos a fazer diferente. Precisamos mudar”, encerrou o líder.

Apesar da ausência do Ministério Público e da Funai, o relator da PEC 215, deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), considerou positivos os resultados

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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