Efeitos colaterais do obscurantismo ambientalista

Entenda os efeitos colaterais dos movimentos de obscurantismo ambientalista

Marcha pela Reforma Agrária

Marcha pela Reforma Agrária vandaliza Centro de Ciências Agrárias (Ceca) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL)

Em menos de 24 horas, as hostes que promovem o obscurantismo ambientalista no Brasil lograram dois grandes triunfos, decorrentes dos métodos fascistóides que costumam orientar as suas ações.

Na terça-feira 5 de novembro, uma horda ensandecida de manifestantes da chamada Marcha da Reforma Agrária devastou as instalações do Centro de Ciências Agrárias (Ceca) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em Rio Largo, destruindo equipamentos e amostras de materiais usados em pesquisas de melhoramento genético de cana-de-açúcar. O agrônomo Iedo Teodoro, coordenador do programa de pesquisas, descreveu a ação, depois de dizer que os manifestantes chegaram ao local de manhã e foram recebidos pelos funcionários da universidade: “Após almoçarem, por volta das 13h, um dos líderes dos movimentos chegou com um megafone e ordenou que os presentes na estufa quebrassem tudo. Eles destruíram amostras importantíssimas e ainda quebraram as estufas de vidro. Destruíram um experimento que seria tese de mestrado e doutorado (G1 AL, 5/11/2013).”

Triunfos do obscurantismo ambientalista

Vandalismo e destruição de anos de pesquisa do CECA da UFAL

Segundo o diretor do Ceca, Paulo Vanderlei, além de instalações e equipamentos, foram destruídas cerca de 30 mil plântulas (embriões de plantas contidos em sementes) de cana-de-açúcar. “Esses experimentos eram conduzidos por alunos de graduação e pós-graduação para elaboração de trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses. Agora, tudo está perdido. Nossos pesquisadores vão começar do zero e nossos alunos podem não concluir seus cursos no tempo correspondente às bolsas de Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior] e CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico]“, lamentou (UFAL, 6/11/2013).

O reitor da UFAL, Eurico Lôbo, observou que a destruição terá repercussões negativas não apenas na universidade, mas em outras instituições que compõem a Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa): “A UFAL tem a liderança nessas pesquisas de melhoramento genético da cana-de-açúcar e é referência. São anos de pesquisa, mas não é só isso; nossa nniversidade também desenvolve no Ceca ações de fortalecimento da agricultura familiar e ações sociais, como educação no campo… São meses, anos de trabalho destruídos; os prejuízos são incalculáveis.”

O ataque foi perpetrado por militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento Libertação dos Sem Terra (MLST), Movimento Luta Pela Terra (MLT) e Comissão Pastoral da Terra (CPT).

O assessor de imprensa do MST, Gustavo Marinho, justificou a ação como um protesto diante do foco das pesquisas feitas por pesquisadores da universidade federal (G1 AL, 5/11/2013).

Já o coordenador do MLST, Josival Oliveira, negou que seus asseclas tivessem causado grandes prejuízos: “Foi um ato simbólico. Só foram quebradas umas caqueiras [vasos para plantas – n.e]. Nós somos contra a monocultura da cana-de-açúcar. Não faz sentido o governo federal investir e gastar dinheiro para desenvolver a cana. O que precisamos é desenvolver e fortalecer a agricultura familiar (Gazeta de Alagoas, 6/11/2013).

A outra façanha do obscurantismo “politicamente correto” foi o fechamento do Instituto Royal em São Roque (SP), anunciado na quarta-feira 6, em decorrência dos prejuízos causados pela depredação do laboratório da entidade e o roubo de todos os cães e coelhos utilizados em pesquisas médicas, por um grupo de militantes da defesa dos direitos dos animais, em 18 de outubro último (ver “Os nazistas também protegiam a natureza”, neste sítio).

No comunicado à imprensa, a direção da entidade informa que o encerramento das atividades se deve às “elevadas e irreparáveis perdas” decorrentes da invasão, que resultou na “perda de quase todo o plantel de animais e de aproximadamente uma década de pesquisas”. Ademais, o texto aponta um “risco permanente a integridade física e moral de seus colaboradores’.

O texto informa que todos os funcionários do instituto serão demitidos. O laboratório empregava 85 pessoas, inclusive médicos, veterinários, farmacêuticos, biólogos e biomédicos.

“O prejuízo causado ao Instituto Royal não é mensurável. Mas é certo que o Brasil inteiro perde muito com este episódio, lamentavelmente”, conclui a nota (G1, 6/11/2013).

O Instituto Royal, criado em 2005, é uma Organização de Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), sendo devidamente credenciado junto ao Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), responsável por regulamentar o uso de animais em pesquisas no País.

Mais que deplorável, é revoltante que fatos como estes estejam ocorrendo em pleno século XXI e, pior, sejam: 1) justificados por seus perpetradores com alegações de uma suposta superioridade moral ou necessidade social; 2) coonestados e justificados por comentaristas e legisladores alinhados com uma tendência prevalecente à “correção política”; 3) saudados por um grande número de pessoas desinformadas ou desorientadas quanto aos significados mais profundos de tais atos; e 4) deixados impunes pelas autoridades, que deveriam zelar pelo cumprimento das normas legais, segundo as quais tais atos constituem ações criminosas, pura e simplesmente.

A destruição do laboratório da UFAL se junta a uma série de atos de vandalismo semelhantes praticados pelos “sem-terras” contra instalações de pesquisa públicas e privadas, em vários estados, desde a década passada. Sob a ótica bizarra e fundamentalista dos mentores do movimento, quaisquer pesquisas que não se encaixem na sua visão pré-medieval das atividades agrícolas são dispensáveis e, portanto, qualquer ação física contra elas se torna moralmente justificada. Em sua miopia ideológica, se aferram a um conceito idealizado de “reforma agrária” já fora de sintonia com a realidade nacional e se lançam contra tudo que não seja compatível com esta visão retrógrada, que não atende sequer às necessidades reais das populações rurais que professam defender.

Se quisessem, realmente, atendê-las, em vez de agir como luditas pós-modernos, estariam se empenhando, junto às autoridades federais e estaduais – inclusive, junto aos governos e fundações privadas estrangeiros que os patrocinam -, em prol da ampliação das atividades de apoio efetivo aos pequenos produtores rurais, como assistência técnica, concessão de créditos, implementação de infraestrutura de armazenamento, viária e energética, acesso aos mercados e outras medidas. Desafortunadamente, isto não parece constar da sua vetusta agenda ideológica.

O episódio do Instituto Royal é ainda mais espantoso, em função da virtual coonestação da depredação pelas autoridades e por numerosos comentaristas. A Polícia Militar justificou a inação do seu pelotão presente ao local, no dia da invasão, para “evitar colocar em risco a integridade física das pessoas”, pouco importando que elas estivessem cometendo um ato criminoso diante de quem deveria evitá-lo. Após o ataque, a prefeitura de São Roque suspendeu o alvará de funcionamento do instituto por dois meses. A Câmara dos Deputados instalou, com a maior presteza, uma comissão especial para investigar maus tratos em animais, encabeçada pelo pitoresco deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), que comparou o instituto a um “campo de concentração nazista”.

Uma amostra significativa da distorcida mentalidade prevalecente foi proporcionada pelo jornalista Ulisses Capozzoli, um dos mais renomados jornalistas científicos brasileiros, em um longo artigo publicado no sítio Observatório da Imprensa (“A ciência e os beagles”), em 29 de outubro. Para começar, ele qualifica o roubo dos animais como uma mera “retirada”, e lamenta que a veiculação do assunto pela mídia tenha sido “um tanto sensacionalista”. Embora o texto seja extenso demais para ser sequer sintetizado aqui, o autor inverte totalmente o ônus das responsabilidades pelo episódio e afirma que o Instituto Royal,

seguramente informado do inconformismo dos ambientalistas (nada disso ocorre da noite para o dia sem certa fermentação de ânimos), deveria ter tratado a questão mais cientificamente e, o que significa dizer com mais responsabilidade e eficiência. E isso não aconteceu. O Instituto Royal deveria ter convidado um grupo de representante dos ambientalistas, com participação do Ministério Público, para conhecer e discutir a situação dos animais. E isso não aconteceu.

Os ambientalistas já haviam estimulado o Ministério Público a se pronunciar sobre a situação da pesquisa com os beagles, mas esse processo, como se sabe, é indesejavelmente lento, burocrático e, em boa parte dos casos, absolutamente frustrante. Então, se o Instituto Royal não teve procedimento devido (procedimento científico, pode se dizer) para lidar com o entorno social em sua sede de pesquisa com animais, é preciso que isso seja formalmente reconhecido e que o instituto seja responsabilizado por isso.

Quando um doutor em Ciências (pela Universidade de São Paulo) e editor de uma importante revista científica (Scientific American Brasil) se pronuncia desta maneira sobre um ato tão condenável, só podemos concluir que algo vai muito mal no País, no tocante à percepção das questões não apenas científicas, mas, principalmente, morais, éticas e legais.

Como afirma a nota do Instituto Royal, não foi somente a entidade que perdeu muito, mas todo o Brasil – e os brasileiros que sonham com um padrão civilizatório superior e se empenham para viabilizá-lo, ainda que tenham que confrontar as forças do obscurantismo.

Leia o texto completo em: http://www.alerta.inf.br/triunfos-do-obscurantismo-ambientalista/

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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