Entrevista com “ex-índio” Tupinambarana Van Moreira, revela lado perverso e autoritário da manipulação identitária.

Entrevista com “ex-índio” Tupinambarana Van Moreira, revela lado perverso e autoritário da manipulação identitária.

Já há mais de seis anos, quando primeiro percebi a agenda antropológica da reetnicização do Brasil, venho tentando alertar o povo brasileiro para o enorme perigo e para as consequências deletérias e dramáticas do movimento político de reetnicização. Depois de cinco séculos de construção de uma sociedade cujas bases encontram-se assentadas sobre a prática da miscigenação e mestiçagem das populações que se encontraram no Brasil, os resultados “científicos, técnicos e inquestionáveis” da antropologia brasileira indicaram inequivocamente que já era hora de engatar a marcha ré e volta a promover a reetnicização do país. Para tanto, julgaram necessário autorizar e legitimar a prática da Manipulação Identitária.

Esta por sua vez é uma das estratégias de defesa ou de ganho pessoal mais comum, documentado e frequente em toda história da humanidade. Ocorreu e ocorrerá toda vez que um determinado grupo, organização ou estado, dotado de algum tipo de poder, estabelecer critérios identitários para punir ou beneficiar uma determinada população. Sempre que há promessas reais ou fictícias de quaisquer benefícios para um determinado grupo com tais e tais características, a tendência humana lógica é reagir positivamente a este estímulo, no sentido de amoldar-se para encaixar dentro daqueles parâmetros estabelecidos de modo a se tornar merecedor destes benefícios.

Assim, a manipulação da identidade étnica vem se tornando, apesar de perverso, um fenômeno cada vez mais frequente em todo território nacional espalhando-se sobretudo no norte e nordeste do Brasil. Um dos casos mais paradigmáticos é o do sul da Bahia, onde um grupo de militantes politicamente engajados, só muito recentemente passou a se identificar como “Tupinambás de Olivença” com vistas aos benefícios estatais, sobretudo a tão esperada terra indígena. A verdadeira história desta estratégia de manipulação, perversão e corrupção do processo de identificação, delimitação desta terra, e do reconhecimento fraudulento desta suposta “etnia” ou “povo indígena”, ainda está para ser completamente contado, mas enquanto isto, não podemos deixar de divulgar e denunciar os indícios e evidências que revelam, pouco a pouco, a perversidade da estratégia.

O caso do produtor Van Moreira é só um caso de mestiços, dentre centenas de pequenos produtores rurais do Sul da Bahia que estão foram aliciados e induzidos a ingressar no movimento indígena em troca de inúmeros benefícios estatais.

Após perder suas terras em Buerarema (BA), o produtor rural Van Moreira, que produzia cacau, aceitou um convite para se afiliar à tribo Tupinambá de Valença, chefiada por Babau, que se intitula como cacique e lidera invasões no sul da Bahia.

O produtor aceitou participar do bando devido às vantagens oferecidas aos povos indígenas, como o direito à saúde, à educação e à aposentadoria com 55 anos para os homens e 50 anos para as mulheres. No entanto, após conhecer as condições da “tribo”, Moreira decidiu não ser mais índio.

Segundo ele, Babau ordenava que os “índios” tomassem um banho denominado de “Encantado”, composto por folhas podres e sangue de galinha. O ritual também era composto pelo consumo de maconha. Mas a desistência do produtor de fazer parte do bando veio quando o cacique ofereceu a eles um saco com armas, das quais eles podiam escolher alguma a fim de invadir propriedades.

Não é a primeira vez que as mesmas denúncias são feitas e veiculadas em rede nacional. Ainda no início do ano, uma impressionante reportagem da Band revelou todas as  picaretagens, fraudes, perversidades e crimes decorrentes desta estratégia etnogênica. Assista a reportagem abaixo e compreenda a face criminosa deste esquema:

 

Moreira conta que qualquer pessoa pode se afiliar enquanto índio da tribo, bastando apenas ir até à aldeia e se cadastrar. Na teoria de Babau, todos os brasileiros são descendentes dos indígenas.

O caso de Van é especial, porque depois de conhecer profundamente as entranhas do esquema, este produtor mestiço deixou o movimento quando percebeu do que realmente se tratava: promoção oficializada e legitimada do conflito étnico no sul da Bahia.

Veja a entrevista e confira você mesmo o que Van tem a nos dizer e a nos ensinar sobre o caso Tupinambá.

Certamente o caso de Van Moreira merece e terá maiores análises em breve, a serem publicadas aqui neste Blog, que segue e seguirá denunciando os #Segredos da Tribo.

Edward M. Luz. Antropólogo Livre. Ex-Sócio da ABA.

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
Esse post foi publicado em Convenção 169 da OIT, Demarcação de terras indígenas, falso índios, fraude antropológica, Indigenismo brasileiro, laudos fraudulentos, Manipulação fraudulenta, Manipulação Identitária e marcado , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Entrevista com “ex-índio” Tupinambarana Van Moreira, revela lado perverso e autoritário da manipulação identitária.

  1. É engraçado ou melhor espantoso perceber que quando informações contundentemente verossímeis como esta vem a tona e um silêncio ecoa do lado do governo, das autoridades constituídas, como Ministério Publico Federal, principalmente este.

  2. roberto garcia disse:

    Não conhecia estes fatos aqui mencionados. O que me chama a atenção é que tanto neste como em vários outros problemas, parece que o Governo tem uma tendência a ficar em silêncio, a tomar medidas tardiamente ou não tomar medida alguma. Pareceria como que o Governo fica inerte ou superado pelos problemas ou devido a alguma outra razão que escapa a minha compreensão. De qualquer maneira, cada problema que não seja enfrentado irá crescendo e gerando outros problemas ainda maiores. A inercia ou silêncio governamental é preocupante em um país onde os problemas parece que crescem exponencialmente. É curioso que muitas das questões que nos afligem chegam a nosso conhecimento quando lemos blogs ou sites ou recebemos algum correio eletrônico. Leio regularmente os periódicos que circulam e, sendo professor, estou em contato com muitas fontes de informação, porém, muitas delas não mencionam estes temas ou quando o fazem, a informação é muito superficial. Resulta visível, ao menos para mim, que começa a aparecer o perfil de uma situação que com o tempo irá agravar-se cada vez mais. Um exemplo claro do que falo são as tais de “PEC” que, se tivermos sorte, são conhecidas depois de aprovadas, quando chegam a nosso conhecimento.

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