Entenda como se dá o processo da multiplicação de índios e suas terras.

Interesses políticos e econômicos locais e regionais, boa vontade de incautos, desinformação dos políticos, manipulação e muita engenharia social ajuda a explicar o milagre da multiplicação das terras indígenas e com ela os futuros conflitos étnicos.

Prefeito planta comunidade indígena em área privada

Em abril de 2013 um grupo de índios Guarani que ocupava um espaço na Praia de Camboinhas, em Niterói decidiu se mudar para a região da restinga, no município de Maricá, no Rio de Janeiro. O cacique Darci Tupã, de 34 anos, diz que os índios são “originais” de Parati, mas saíram da região em busca de um “local fértil” para  poderem preservar sua cultura. “Lá vivem 250 índios. Alguns que retornaram para Maricá, com apoio do prefeito”, declarou o cacique, com o cuidado de informar que, como não poderia deixar de ser, alguns de seus ancestrais (certamente) já utilizavam tradicionalmente de passagem a região há 123 anos, quando saiam do norte do Espírito Santo em direção ao Rio Grande do Sul.

 

Animado com a possibilidade de esquentar a economia local, o prefeito de Maricá, Washington Quaquá, já vislumbra as cifras entrando nos cofres da prefeitura, quando conseguir transformar a nova ocupação indígena num ponto turístico, uma espécie de túnel do tempo, onde o turista poderá se sentir em 1500 e interagir com os nativos devidamente fantasiados e aparamentados para a ocasião. Em visita ao seu empreendimento de engenharia social,  sua nova aldeia que vem formando no último sábado, 7 de junho, o prefeito garantiu a permanência dos índios na área de 93 hectares e informou que planeja construir no local ocas-hotéis e um teatro arena para apresentações da cultura indígena. Maravilha, tudo muito fashion, muito tribal. Os índios deverão construir a estrutura rústica estilizada de acordo com os traços tribais do grupo, e a Prefeitura destinará recursos para manutenção do espaço. “Estamos muito focados nesta oportunidade única com o incentivo do Quaquá, que vai garantir a preservação da nossa cultura”, disse animado o cacique Tupã.

Empolgado, o prefeito Quaquá informou que enviará à Câmara Municipal um projeto de lei de apoio aos índios que garantirá a inclusão de todos no projeto Bolsa Mumbuca. “Quero que todos, inclusive as crianças, recebam o benefício. Também negociaremos junto ao Ministério da Saúde a disponibilização de mais um médico cubano ao posto de São José do Imbassaí, para reforçar o atendimento”, ressaltou Quaquá. O programa, que possui a primeira moeda social eletrônica do país, repassa mensalmente 70 Mumbucas (equivalente a R$ 70) para famílias com rendas de até um salário mínimo.

Segundo o secretário municipal de Direitos Humanos, Miguel Moraes, que acompanhou a visita, as famílias já estão sendo cadastradas e o projeto de lei ampliará o benefício. Ao todo, 65 índios, sendo três crianças nascidas em Maricá, moram na aldeia Tekoa Ka’aguy Hovy Porã (significa Mata Verde Bonita).

A área ocupada pelos índios com apoio da prefeitura é de propriedade do Grupo IDB que pretendia construir um complexo turístico no local. “Já determinei aos empreendedores espanhóis que incorporem a aldeia ao projeto do resort. Vocês não vão sair daqui”, asseverou o prefeito. Sua fala contudo é bravata, do começo ao fim, prova inequívoca de sua falta de consciência, acerca da superioridade dos direitos originários, sobre toda e qualquer outra forma qualidade de direitos. O prefeito não sabe do que fala, e não tem qualquer chance, nem a menor condição de assegurar tal promessa.

Eis como se processa o início, os primeiros passos do milagre da multiplicação de indígenas e de suas terras indígenas a serem demarcadas.

Os próximos passos são sabidos e conhecidos: falta só um missionário do CIMI, ou um antropólogo engajado de qualquer um das centenas de ONGs internacionais que dominam o Brasil para explicar e ajudar a “conscientizar a este grupo ‘manipulado’ pelos brancos, sobre todos os seus direitos constitucionais, sobretudo seu direito aos território tradicionalmente ocupados”. Depois de três ou quatro meses de doutrinamento e cooptação das lideranças da comunidade indígena, é claro que, quando o prefeito, os empreendedores espanhóis, e a sociedade ao redor menos esperar, o próprio grupo que se declara indígena, entrará com um recurso solicitando os estudos de identificação e delimitação de uma terra indígena.

Obrigada por suas funções institucionais, a FUNAI certamente será obrigada a atender o pedido e irá iniciar um processo administrativo de demarcação das terras indígenas. Um antropólogo engajado certamente será contratado para legitimar todo processo, e se ele for um booom antropólogo, beeem comprometido  e engajado, ele certamente encontrará razões, dados e motivos para legitimar as pretensões territoriais e o processo estará consumado. O resultado será o mesmo de sempre: expropriação das terra dos investidores espanhóis, que certamente serão acusados de serem “brancos colonizadores, novos bandeirantes”, “brancos capitalistas gananciosos” e, é claro de todos aqueles que estiver nas imediações. O resultado da empreitada, todo mundo já sabe, afina de contas, para os antropólogos, FUNAI e para o Governo: “Índio é que nem freguês: tem sempre razão”.

A foto é de Fernando Silva.

Veja mais no siste : http://www.questaoindigena.org/2014/06/o-milagre-da-multiplicacao-das-terras.html#sthash.u9UOGzk4.dpuf

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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