Índios Yanomami fogem de suas Terras Indígenas, mas são apreendidos e enviados de volta pela Funai

Todos os anos o mesmo fenômeno se repete: Índios Yanomami fogem de suas Terras Indígenas, mas são apreendidos e enviados de volta pela Funai

A migração é silenciosa, mas notada. O número de índios que deixam suas comunidades para arriscar uma vida melhor na Capital aumentou nos últimos anos, em Roraima, segundo dados apontados pelos dois últimos censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2000, Boa Vista tinha 6.150 índios. O número pulou em 2010 para 8.550.

No final de 2014 A Folha de Boa Vista, entrevistou esta semana vários indígenas, em zonas distintas da cidade, para saber os principais motivos da migração. E à época, a resposta de todos era sempre a mesma. “Não tem mais como viver na comunidade. Não tem saúde, não tem comida. Nosso povo está morrendo de fome”, lamentava a índia macuxi V.A.O, de 41 anos, mãe de 10 filhos, moradora da comunidade Beija-Flor, em Normandia, município a 190 quilômetros da Capital pela BR-401, Noroeste de Roraima.

No final de 2014, Dezenove índios Yanomani, entre eles nove crianças perambulavam pelas ruas de Boa Vista, capital do estado indígena de Roraima. À época grupo afirmava que havia índios passando fome na comunidade de Maimase, na Missão Catrimani, localizada no município de Caracaraí, região Sul de Roraima. No grupo, apenas um adolescente de 15 anos fala português, os demais se comunicam pela língua materna. De acordo com os mais velhos do grupo, a situação na aldeia onde vivem é precária. Além de comida, faltam medicamentos e ferramentas para trabalhar. Eles vieram para Boa Vista em busca de ajuda.

Estamos passando fome e precisamos de alimentos. As crianças estão doentes. Viemos para Boa Vista procurar ajuda, pois não temos como ficar na comunidade se não temos comida. Faltam também farinha e beiju“, relatou um dos indígenas. O grupo pegou carona em um caminhão para deixar a terra indígena Yanomami e chegar até à capital.

De acordo com o príncipe do povo Yanomami, Dário Kopenawa, filho do grande xamã ameaçado, Davi Kopenawa, rei dos yanomami, os indígenas não comunicaram que viriam a Boa Vista. Sobre a falta de alimentação na comunidade, ele disse que a informação não procede. “Posso garantir que não falta comida na Terra Yanomami. Vamos fazer o possível para resgatar os indígenas e devolvê-los para as comunidades”, destacou Kopenawa.

A coordenadora do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei-Y), Maria de Jesus do Nascimento, disse que equipes da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e da Fundação Nacional do Índio (Funai) estavam na Feira do Produtor para resgatar as famílias e levá-las de volta às comunidades de onde fugiram.
A situação de penúria também ocorre em outras comunidades indígenas de Roraima. Os índios reclamam da falta de apoio do governo estadual e municipal que, segundo eles, não fazem a manutenção das estradas, nem constroem ou reformam escolas e postos de saúde, principalmente nas aldeias mais distantes dos centros urbanos.

Por esse motivo, mesmo ocupando metade do território de Roraima, os índios enfrentam inúmeras dificuldades em suas comunidades, o que acaba forçando a migração à Capital ou para as sedes dos municípios. Exemplo da falta de apoio vem ocorrendo desde 2009, quando produtores rurais que ocupavam as terras próximas ao rio Uraricoera foram retirados do local para que fosse homologada a reserva indígena Raposa Serra do Sol, a Noroeste de Roraima.

Cinco anos depois, da homologação da Terra Indígena Raposa.Serra do Sol, o que se vê é um imenso lavrado, praticamente abandonado. As estradas de terra batida que levam à maioria das comunidades indígenas estão esburacadas e cheias de lama. As pontes de madeira em situação precária colocam em risco a vida dos moradores, que dificilmente são socorridos. Eles sofrem ainda com problemas de saúde decorrentes da falta de saneamento básico. Raramente um médico visita as comunidades mais distantes. E os doentes mais graves dependem de deslocamento aéreo fornecido pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), ligada ao Ministério da Saúde. Para piorar a situação, as comunidades indígenas, empobrecidas, também ficam impossibilitadas de escoar para os centros urbanos o pouco que sobra da produção agrícola. No período de chuvas, o excedente, principalmente frutas, estraga na beira das estradas.

– Leia mais sobre o fenômeno em http://www.questaoindigena.org/2013/10/indios-de-roriama-fogem-das-terras.html

e em: http://www.questaoindigena.org/2014/08/indios-fogem-de-terra-indigena-mas-sao.html#sthash.PHFt6nSD.dpuf

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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