Bolsonaro diz que quilombolas são massa de manobra de petistas.

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

Acusado de racismo, o deputado federal Jair Bolsonaro, tornou-se alvo de representações na Procuradoria Geral da República. Em um evento no Rio de Janeiro, o parlamentar fez comentários sobre os quilombolas, que foram considerados preconceituosos. O deputado reiterou que estaria falando a verdade, quando defendeu: “Você já viu como os afrodescendentes dessas terras são tratados? São objetos, massa de manobra, servem para muitos petistas ganharem dinheiro em cima deles”.

Bolsonaro ainda criticou a demarcação de reservas indígenas no País, comparando o sistema à “indústria” e explica: “Demarcações completamente descomunais e sem qualquer razoabilidade. Demarcando terras indígenas no Brasil todo, brancos e negros forma expulsos dessas terras, cujas famílias ocupavam aquela área por cem, duzentos, trezentos anos. Terra rica? Reserva indígena. Fazem o mesmo com os quilombolas”, afirmou o deputado. Ele considera “terrível” o fato de pessoas serem expulsas de áreas indígenas ou demarcadas para quilombolas.

Conforme dados da FUNAI, desde 1500 muitos povos foram extintos até a década de 1970 e a população indígena brasileira decresceu consideravelmente. De acordo com dados do IBGE de 2010, atualmente haveria 896,9 mil indígenas, após duas décadas de retomada do crescimento. Em 1957, o número foi tão reduzido que chegou a 70 mil. Atualmente existem cerca de 460 terras indígenas. A política de demarcação começou na década de 1980, defendendo objetivo de preservação dos costumes e tradições desses povos.

A DENÚNCIA CONTRA BOLSONARO.

Na representação entregue à PGR, os parlamentares declaram que, durante uma palestra no Clube Hebraica, no Rio, Bolsonaro disse que teria visitado um quilombo e que o “afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas”. “Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais”, declarou ainda o deputado. Bolsonaro teria dito ainda que o governo gastava mais de R$ 1 bilhão por ano com os quilombos, e que, se ele fosse eleito presidente da República, não iria “ter nenhum centímetro demarcado para reserva indígena ou para quilombola”. Segundo os parlamentares tais grupos teriam ainda sido criticados posteriormente em outros momentos da palestra.

Para a Deputada Benedita da Silva (PT-RJ), que participou da entrega da representação ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o parlamentar precisa sofrer uma “punição severa”, já que a Constituição torna o crime de racismo m crime inafiançável. “Ele é racista, preconceituoso, machista, ele é tudo isso. Como a gente vai aceitar que um parlamentar, que está investido de autoridade, de imunidade, que tem que representar o interesse da população, possa dizer uma coisa dessa impunemente”, denunciou.

O deputado também foi alvo de uma representação da Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e da organização Terra de Direitos. “Bolsonaro se referiu à condição da escravidão vivida por negros e negras no Brasil por quase quatro séculos para inferiorizar, ridicularizar e discriminar quilombolas”, dizem as entidades.

“Ao se manifestar publicamente desta forma, o deputado corrobora o discurso racista de ódio onde quilombolas não teriam lugar ou função na sociedade brasileira, sem nem mesmo terem condições de perpetuar suas famílias. Ainda o parlamentar desvirtua as políticas públicas destinadas às comunidades quilombolas, sugerindo que seria um gasto desnecessário do orçamento público”.

 

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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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