Raoni, o Marketing milenarista e o totalitarismo socioambiental.

Marcelo Santos Braga

Aos 87 anos, o ancião conhecido por Cacique Raoni segue sendo a maior referência do movimento indígena no Brasil. O líder da etnia Kayapó, povo que vive em terras indígenas localizadas do sul do Pará ao norte do Mato Grosso, é conhecido internacionalmente por sua luta pela preservação da Amazônia e dos povos indígenas. Raoni Metuktire já viajou o mundo para defender os direitos dos povos originários e foi recebido por diversos presidentes.

Sua voz ecoou mundo afora e teve como consequência a homologação do que hoje chamamos de Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso e Pará. É também desde a década de 1980 uma das vozes mais críticas à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

Só em 1954 teve seu primeiro contato com o homem branco e sua formação e aprendizagem da língua se deram junto aos irmãos Villas-Bôas, famosos indigenistas naquele período. Apesar da sua visibilidade, até hoje mora em uma cabana e tem uma vida simples. Criou o Instituto Raoni, que desenvolve projetos em defesa dos seus parentes, como chama os demais indígenas. Defensor ferrenho da cultura indígena, sempre aparece de cocar e usa desde a adolescência o seu característico botoque no beiço.

Na conversa com a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), realizada durante o XI Aldeia Multiétnica, evento com diversas etnias na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, ele fala sobre a importância da conservação do modo indígena de ser e da nova geração. Para ele, é importante que os índios se unam e reivindiquem seus direitos junto aos governantes.

Qual é o principal desafio para o povo indígena?
Antigamente, quando eu era bem pequenininho, os nossos ancestrais, os parentes, minhas famílias, mudavam de moradia indo a outros lugares e depois voltavam até mudar de novo. Mas hoje em dia nós temos só um território mesmo, não tem mais espaço como era antes. Esses territórios são como se fossem a nossa casa, não tem mais lugar para morarmos longe da nossa moradia. Então, hoje, os jovens da nova geração estão mais envolvidos na questão da cultura dos brancos, estão perdendo a cada dia esse conhecimento. E se eles continuarem assim, não vai ter mais território.

O que é mais grave para os índios nessas perdas de território? As hidrelétricas, a agricultura do branco, a mineração?
Eu vejo todos os problemas que afetam os territórios. Como você falou, são as hidrelétricas dentro da área indígena, o desmatamento das florestas, as plantações de soja e isso afeta muito as comunidades. Na minha visão, essas são as coisas piores. E daqui para frente, quando os fazendeiros continuarem a desmatar as florestas, não vai ter mais ar para a gente respirar. Às vezes, eu vou a Câmara dos Deputados pedir às pessoas que trabalham lá para elas pararem de fazer isso, mas elas continuam e não me escutam. Isso é muito grave.

Diante da sua experiência em relação ao Estado, como você vê o tratamento do governo com os índios?
Na época que o homem branco teve contato com os índios era muito melhor, e hoje em dia não temos a mesma situação. Antigamente, homem branco ajudava os povos indígenas com recursos para atender nossas necessidades, como a saúde, a Funai e demais coisas. Hoje não ajuda mais a gente, está mais focado no caso dos brancos em geral e nos esquecendo. Até hoje venho lutando pela nossa causa, para não acontecer desmatamentos e hirdrelétricas, isso eu não aceito!

Matéria completa em: http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Movimentos-Sociais/-Os-brancos-querem-acabar-com-as-florestas-alerta-Cacique-Raoni/2/38625
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Sobre edwardluz

Contatos & WhatsApp: (061) 99314389, (062) 96514602 Sou Edward M. Luz antropólogo brasileiro, goiano, residente em Anápolis e Brasília, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mesma universidade onde cursou e concluiu graduação e mestrado em Antropologia Social (Lattes : http://lattes.cnpq.br/7968984077434644 ). Iniciei carreira profissional em trabalhos de identificações e delimitações de terras indígenas em 2003 e desde então exerci esta função de Antropólogo Consultor em três ocasiões, sempre contratado pelo convênio FUNAI/PPTAL. Durante os últimos sete anos trabalhei na identificação e demarcação de oito (8) terras indígenas, todas no estado do Amazonas. Sempre trabalhei orientado pelos artigos 231 e 232 do texto Constitucional, obediente à Portaria 14 e atento ao Decreto 1775/96 e acima de tudo, norteado pelos princípios acadêmicos de imparcialidade e cuidado aos quais acrescento sempre bom senso, equilíbrio e por um forte senso ética e responsabilidade com a vida dos meus interlocutores que estudo. A observância de tais princípios me colocou em rota de colisão com alguns antropólogos e sobretudo com a FUNAI, o que culminou com a rejeição de minha postura democrática e de diálogo com as partes envolvidas em demarcações de quilombos e Terras Indígenas. Independente de quem serão meus adversários continuarei batalhando contra e enfrentando esse perigoso processo político de etnicização do Brasil, esforçando-me por promover o diálogo, a postura democrática e as soluções racionais e dialogadas para o crescente conflito étnico no Brasil, mantido e estimulado por ONGs e órgãos que precisam desesperadamente do conflito para manterem e justificarem uma ideologia fracassada, que se espalha por ONGs, pela parte ideologicamente comprometida da universidade brasileira e sobretudo por servidores de importantes e respeitáveis instituições republicanas brasileiras que precisam ser resgatadas do pernicioso processo de aparelhamento político do estado a que foram submetidas. Continuo disposto a trabalhar em soluções republicanas e democráticas par as situações dos conflitos étnicos em todo território nacional. Edward Mantoanelli Luz. Antropólogo Consultor da Human Habitat Consultoria LTDA
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Uma resposta para Raoni, o Marketing milenarista e o totalitarismo socioambiental.

  1. Genesis Duarte disse:

    Claro que nós ajudávamos eles, mas diante do fato que se alianharam com a politica de predador, e querer deixar as famílias ao relento, sem direito as suas terras, enquanto eles não plantam nada mas comem do que o agricultor cultiva, só pode haver conflito. Quanto ao desmatamento, também é uma inverdade porque eles depredam e muito, queimam as matas e não ´produzem nada. Sofremos com esta desigualdade, quem paga por isso somos nós, dos nossos impostos, alimentando ONGS, e centenas de desocupados.

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