Etnodesenvolvimento

Sobre a Criação e Atividades do NEP-DPCT: Núcleo de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento de Povos e Comunidades Tradicionais

Edward M. Luz.

Antropólogo Coordenador do NEPDPCT

edwardluz@hotmail.com

      O Brasil é uma nação multiénica marcada  por uma enorme diversidade etnocultural, contendo quase três centenas de sociedades indígenas1, inúmeras comunidades afro-descendentes além de tantas outras micro-sociedades que se destacam pela sua herança cultural e práticas tradicionais.

     Esta incrível diversidade socioeconômica de grupos, povos e comunidades tradicionais culturalmente diferenciados entre si, se reconhecem como tal e possuem formas próprias de organização social, ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas geradas e transmitidas pela tradição sociocultural. Integram esta categoria sociocultural e administrativa, além dos já reconhecidos povos indígenas e quilombolas, todos os chamados “povos da floresta” ou “comunidades extrativistas da Amazônia” como os castanheiros, seringueiros, palmiteiros, piabeiros, piaçabeiros, pescadores artesanais além de caboclos e ribeirinhos dentre tantos outros que conformam esta enorme miríade sociocultural.

   Ciente das deficiências na assistência legal do Estado brasileiro à estas comunidades tradicionais o Governo Federal veio por meio do Decreto Presidencial 6.040 de fevereiro de 2007 corrigir esta enorme lacuna administrativa ainda aberta ao longo de tantas décadas. O referido Decreto2 institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais visando como relembra o próprio nome promover o desenvolvimento desta parcela específica da população brasileira.

   O avanço deste inovador decreto do executivo trouxe a lume uma verdadeira lacuna administrativa do estado brasileiro ao revelar um atraso legislativo concreto, ou seja, uma incapacidade de promoção do desejado desenvolvimento, além da renitente ineficiência das políticas públicas deficitárias e inadequadas para a promoção da tão almejada autonomia sócio-econômica destas populações tradicionais.

   Dentre muitas outras ausências e lacunas reveladas pelo decreto do Executivo, destaca-se sobretudo 1) o amadorismo de algumas iniciativas caritativas das entidades religiosas, 2) desencontros, descontinuidades e ineficiências das políticas públicas governamentais e 3) um certo desprezo histórico proveniente da comunidade acadêmica e científica, revelada pela ausência de pesquisas e estudos voltados especificamente para a promoção de iniciativas do desenvolvimento comunitário desta grande parcela de caboclos, ribeirinhos e amazônidas do interior, abandonados pelo restante da população brasileira. Uma poderosa e resiliente conjunção de fatores resiste em manter o atraso técnico, material e orgnanizacional dessas comunidades e se não enfrentados estrategicamente continuarão a manter pelas próximas décadas os atuais padrões de subdesenvolvimento e pobreza que têm afetado a região amazônica durante séculos.

   Para este Centro Universitário, é interessante promover esta linha de pesquisa neste momento porque é uma atividade: 1) academicamente avançada e inovadora; 2) desafiadora e complexa porque multidisciplinar, 3) harmoniosa porque concilia princípios e valores institucionais com propostas universalistas da ONU, 4) estratégica e economicamente viável 5) social, política e administrativamente útil em todas as dimensões, 6) ajudando a difundir e divulgar sua imagem enquanto pólo pesquisador perante órgãos governamentais.

   Uma vez tomada a decisão de envolver-se no desafio da promoção do desenvolvimento de comunidades do interior do Brasil o Centro Universitário de Anápolis corajosamente lança o NEP-DPCT e revela que se propõem fazer o que de melhor ela sabe e pode fazer: produzir conhecimento qualificado, cientificamente testado, embasado e útil para promover o tão almejado desenvolvimento sustentável em comunidades tradicionais amazônicas.

 

  Considerando sua missão institucional, seu compromisso confessional, a situação de pobreza e fragilidade real em que se encontram inúmeros a população do interior do Brasil, sobretudo da Amazônia, o Conselho de Administração da AEE e a reitoria do Centro Universitário de Anápolis tem se mostrado fortemente interessados em ajudar povos e comunidades tradicionais brasileiras a superarem este estado de pobreza, carência e privação entendendo que além uma obrigação cívica e humanitária é também uma forma de manifestar o amor divino e cristão para com essa parcela da humanidade.

  Certo de que pode ter um importante papel na promoção do desenvolvimento desta parcela específica da população nacional o Centro Universitário de Anápolis lança seu Núcleo de Extensão e Pesquisa sobre o Desenvolvimento de Povos e Comunidades Tradicionais (ou apenas NEPDPCT) como um passo significativo e prático sinalizando as intenções de caminhar neste sentido. Projetado para estimular e coordenar ações conjuntas de extensão e pesquisas multidisciplinares sobre o desenvolvimento comunitário o NEP-DPCT propõem agregar professores e pesquisadores de diversas, senão de todas as áreas e cursos da instituição para contribuir com este propósito comum.

   Começando a operar em junho3 de 2011, o NEP-DPCT já se mostra importante instrumento para agregar pesquisadores, professores e alunos em torno de um importante objeto comum de pesquisa: o desenvolvimento de uma parcela significativa da população brasileira abandonada pelo estado em todas as suas esferas. O caráter inovador e empreendedor desta iniciativa, faz do Centro Universitário de Anápolis a primeira instituição de ensino superior privado no Brasil a ter um Núcleo multidisciplinar totalmente voltado a esta temática. Por isso este NEP já surge e levanta-se com a responsabilidade e o propósito declarado de torna-se um centro de referência nacional nesta inovadora e importante linha de pesquisa e atuação.

 Edward Mantoanelli Luz.

Coordenador Acadêmico do NEPDPCT

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